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Venezuela: operações policiais em bairros pobres deixou 2.000 mortos em 2020

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, conversa com membros de seu partido, o PSUV, em Caracas, 17 de setembro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 25. setembro 2020 - 12:49
(AFP)

Mais de 2.000 pessoas morreram este ano em bairros pobres da Venezuela durante operações de segurança realizadas por autoridades locais - anunciou a ONU, nesta sexta-feira (25).

"Estou preocupada com o alto número de mortes de jovens em bairros marginalizados como resultado de operações de segurança" na Venezuela, disse a alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, perante o Conselho de Direitos Humanos (CDH) em Genebra.

"Meu escritório registrou 711 mortes de junho a agosto, atingindo mais de 2.000 mortes desde janeiro de 2020", acrescentou.

Desse total, que chega a 2.039 pessoas, 11 eram mulheres. A idade média dos falecidos era de 26 anos.

O escritório da alta comissária, que conta com representantes no terreno, informa regularmente o Conselho de Direitos Humanos sobre a situação na Venezuela.

A instituição continuou a documentar casos de repressão a manifestações pacíficas no contexto do estado de alerta estabelecido desde março, incluindo prisões de manifestantes que protestavam contra a escassez de combustível e os baixos salários e pensões.

"Além disso, observamos restrições à liberdade de expressão", disse Bachelet, citando ataques a defensores dos direitos humanos e a detenção de jornalistas.

A ex-presidente chilena também expressou sua preocupação com uma série de medidas adotadas por Caracas, em particular as mudanças no sistema eleitoral e na composição da Assembleia Nacional, bem como as decisões do Tribunal supremo de Justiça "que obstruem a liberdade de seleção dos representantes de sete partidos políticos".

"É fundamental que, nos próximos meses, o espaço cívico e democrático seja protegido, e as libertações de todas as pessoas que ainda estão arbitrariamente privadas de liberdade para o exercício de seus direitos continuem", disse ela, pedindo que "se continue trabalhando na construção de acordos para alcançar condições para o desenvolvimento de processos eleitorais confiáveis, livres, inclusivos e equilibrados".

Michelle Bachelet também saudou o aumento da cooperação de Caracas com seu escritório e a recente adoção de medidas positivas por parte do governo, como o indulto concedido a 110 pessoas.

Destacando que a pandemia do novo coronavírus se somou a outras urgências preexistentes, entre elas a situação de emergência alimentar, ela reiterou seu apelo para que as sanções econômicas internacionais sejam suspensas.

"A imposição de sanções adicionais às exportações de diesel pode agravar ainda mais a já crítica escassez de gasolina e dificultar a distribuição de ajuda humanitária e de bens essenciais", alegou a alta comissária.

A Venezuela está sujeita a sanções econômicas dos Estados Unidos, destinadas a pressionar o presidente Nicolás Maduro, incluindo um embargo ao petróleo, principal recurso do país.

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