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Venezuela: sem comida e remédios, também vítima de criminalidade desenfreada

Yamileth Marcano mostra o celular que usa em Caracas, em 12 de novembro de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 19. novembro 2018 - 19:53
(AFP)

Como se já não houvesse angústia suficiente pela falta de comida e de remédios, os venezuelanos têm que lidar com uma insegurança alarmante: a cada hora três pessoas morrem violentamente em seu país.

A ONG Observatório Venezuelano de Violência (OVV) registrou 26.600 homicídios em 2017, uma taxa de 89 para cada 100.000 habitantes, 15 vezes acima da média mundial.

"Os venezuelanos tomam medidas cotidianas sustentadas no medo ou no desejo de se proteger. Eles se adaptam à situação de insegurança, mas isso implica uma perda de liberdade", explicou à AFP Roberto Briceño, diretor do OVV.

A vida de Yamileth Marcano, professora de 46 anos, virou de cabeça pra baixo há dois anos, quando seu irmão Willis - seis anos mais novo - foi assassinado ao sair da oficina mecânica onde trabalhava. Um jovem de 19 anos o esfaqueou para roubar seu smartphone.

"Era muito alegre, eu o amava muito", diz à AFP. "Quanto valia sua vida? Quando custa um celular? Cada vez que escuto sobre outra família de luto, as duras lembranças voltam".

Marcano mora em uma casa gradeada no leste de Caracas. Seu filho deixou a universidade e emigrou para a Itália com o pai, depois que dois assaltantes em moto colocaram uma arma em sua cabeça para tentar roubar seu celular.

"A insegurança está matando jovens e velhos. Qualquer um está exposto. Te roubam na rua, na praia, no mercado, no hospital... É horrível viver assim", lamenta Yamileth.

Como ela, muitos na Venezuela usam um celular analógico na rua. O smartphone deixa em casa, ou nunca o tira da bolsa.

Ainda está na memória dos venezuelanos o crime da ex-miss Venezuela Mónica Spear e seu marido, baleados por bandidos em 2014 em uma estrada onde seu veículo enguiçou.

Em Caracas surgiu uma iniciativa para acompanhar quem sofre problemas nas vias. Com coletes fosforescentes e capacetes, seis homens viajam em sua motos para resgatar Carmen García, estudante de medicina que ficou parada em uma autopista.

Levaram oito minutos para chegar depois de que Carmen, temendo um assalto ou sequestro, ativou no celular o aplicativo Pana. Os chamados "operadores de acompanhamento" a escoltaram até um local seguro. O serviço custa seis dólares por ano.

"Damos segurança, mas também atendemos a ansiedade, cuidando, assistindo. Tranquilizamos o cliente por telefone e pessoalmente", disse à AFP Domingo Coronil, gerente do Pana.

Na Blindacars Express, em um shopping center no leste de Caracas, o gerente Julio César Pérez entrega a um cliente duas enormes caminhonetes em cujos vidros acabam de instalar o "laminado antivandalismo" de maior espessura.

"Cada vez mais as pessoas querem este serviço. Os delinquentes não discriminam classes sociais. Aqui vêm veículos de gama baixa, média e alta", comentou Pérez.

Quando o sol se põe, a solidão reina nas ruas de Caracas e outras cidades do país, afetado também por uma grave crise econômica.

"Minha vida noturna diminuiu totalmente. Antes saía todos os fins de semana, agora muito pouco. A partir do momento em que saio de casa me sinto em perigo", diz Adrialis Barrios, comunicadora de 23 anos.

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