Navegação

Menu Skip link

Funcionalidade principal

Venezuela abre nova frente em conflito de poderes com governadores

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, durante coletiva em Caracas, em 17 de outubro de 2017

(afp_tickers)

Uma nova frente de tensão se abriu na Venezuela. A oposição rejeita juramentar nesta terça-feira (17) ante a Assembleia Constituinte os seus cinco governadores escolhidos nas eleições regionais vencidas pela situação, cujos resultados desconhece e são questionados por vários países.

A sessão da Constituinte está prevista para a parte da tarde, mas antes os governadores de situação acompanharam o presidente Nicolás Maduro em uma coletiva na qual alfinetou os países que colocam em dúvida a validade da eleição.

O governo venceu 17 das 23 governações em disputa - a última também lhe foi atribuída, mas o poder eleitoral ainda não fez o anúncio. Embora tenha 20, considerou o resultado como uma grande vitória, já que as pesquisas davam como clara favorita a opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD).

"Houve um processo eleitoral livre. O sistema eleitoral venezuelano é o mais auditado e seguro do mundo", manifestou o presidente.

Acusado por seus adversários e alguns países de instaurar uma "ditadura", Maduro fez destas eleições uma validação de sua Constituinte, desconhecida por governos da América e Europa, e cuja eleição em julho foi acusada de fraudulenta pela oposição e pela empresa que forneceu os equipamentos para a votação.

Maduro dispôs que os governadores eleitos devem se subordinar e juramentar ante a Constituinte, sob pena de serem destituídos. A MUD descartou fazê-lo, mas suas divisões internas despertaram dúvidas no último momento.

"A estratégia do governo é conquistar a legitimidade nacional e internacional da Constituinte. A direção opositora acabará por se desconectar abertamente do eleitorado se for a essa instância", declarou à AFP o analista Eugenio Martínez.

Embora a lei diga que os governadores devem jurar ante os conselhos legislativos locais, estão de mãos atadas: a MUD teve um ótimo resultado nas parlamentares de 2015, mas suas decisões, com maioria qualificada foram anuladas pela Justiça, acusada de servir ao governo.

- "Uma mensagem brutal" -

Estados Unidos, França e União Europeia (UE) expressaram a sua preocupação pela "ausência" de eleições livres após os resultados, o que foi rejeitado pelo governo como uma "ingerência".

"Nosso povo deu uma mensagem brutal ao imperialismo, a Trump, a seus seguidores regionais e à direita local", reagiu Maduro.

Ao se referir à UE, manifestou que o bloco "se subordina" ao presidente americano, Donald Trump. "Tomara que abram os olhos" e "retifiquem a tempo", acrescentou.

Os Estados Unidos,- que já impuseram sanções contra Maduro, vários de seus funcionários e o país no campo econômico - não descartam novas medidas, e a UE avalia essa possibilidade.

Ao responder o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, que falou da necessidade de "eleições gerais" na Venezuela com uma autoridade eleitoral "independente", Maduro assegurou que o da Colômbia é "o mais fraudulento e irregular do mundo".

Doze países da América, que integram o chamado "Grupo de Lima", exigiram nesta terça-feira a realização "urgente" de uma "auditoria independente" das eleições na Venezuela.

- "Estou pronto para dialogar" -

A MUD descartou qualquer aproximação de diálogo com o governo enquanto não houver uma auditoria com "verificação internacional e independente" das eleições, pois assegura que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) é controlado pelo governo.

"Estou pronto para dialogar com a oposição... em qualquer condição", disse Maduro, acrescentando que um acordo para iniciar práticas está 95% pronto e disse aceitar que seja incluída uma auditoria.

A situação e a oposição iniciaram em setembro na República Dominicana contatos exploratórios de um diálogo, mas a MUD os congelou assegurando que não havia condições e à espera destas eleições.

Parte de seus seguidores colocou na conta da MUD o fato de aceitar participar de eleições com um juiz eleitoral questionado e por ter feito tentativas de diálogo com o governo, segundo analistas.

Muitos outros não votaram decepcionados após não conseguirem retirar Maduro do poder com quatro meses de protestos que deixaram, entre abril e julho, mais de 125 mortos.

O analista Luis Vicente León disse à AFP que os chavistas ganharam porque se uniram, enquanto a MUD estava "fissurada e desanimada". Mas opinou que o resultado teria sido impossível em "uma eleição transparente e competitiva".

Maduro, que tem 80% de impopularidade pela grave crise econômica, sustenta que o povo recobrou a "consciência" e disse estar certo de que vencerão 90% das prefeituras nas eleições municipais, ainda sem data.

A nível nacional, o chavismo obteve 54% dos votos. "O chavismo está vivo, está nas ruas e está triunfante", comemorou Maduro, já pensando nas presidenciais do final de 2018.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


Teaser Longform The citizens' meeting

Teaser Longform The citizens' meeting

advent calendar

subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.