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A chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini (D), e o ministro equatoriano das Relações Exteriores, Ricardo Patiño, em Bruxelas, no dia 9 de maio de 2015

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A situação política na Venezuela dividiu, nesta terça-feira, os países da Celac e da União Europeia na reunião de ministros das Relações Exteriores, na véspera da cúpula birregional deste bloco de 61 países.

"Conversamos, houve uma preocupação evidente" tanto da UE, quanto das delegações da Comunidade de Estados da América Latina e do Caribe, disse o chanceler equatoriano, Ricardo Patiño, cujo país preside a Celac, em coletiva de imprensa conjunta com a chefe da diplomacia europeia, Federica Mogherini.

"Mas também houve um espaço de solidariedade para que a Venezuela supere alguns momentos de crise que viveu (...) assim como para que não haja decisões unilaterais de países que possam afetar extraterritorialmente" a Venezuela, acrescentou.

A Celac propôs um parágrafo na declaração final, que será levada à cúpula, de condenação e repúdio às declarações dos Estados Unidos, que qualificaram a Venezuela de uma "ameaça" à sua segurança.

"São temas que vimos discutindo entre as duas regiões e que certamente serão refletidos no documento final", disse Patiño.

Embora esta possibilidade tenha poucas chances de ser aceita pela UE, que já expressou em várias oportunidades sua "preocupação" com a situação política no país sul-americano, bem como pelos líderes da oposição presos.

O Parlamento Europeu aprovou várias resoluções de condenação ao governo de Nicolás Maduro, todas impulsionadas pelos eurodeputados espanhóis do Partido Popular, no poder na Espanha. Entre os Estados-membros, a Espanha mantém relações ríspidas com o governo venezuelano.

"Talvez não possamos usar as mesmas palavras, mas há um espírito comum para tratar estes temas", acrescentou Patino, citando o caso da Venezuela, mas também o do embargo "injusto" a Cuba ou da elaboração de um marco jurídico para regular os processos de reestruturação da dívida soberana, que a Celac propõe que se incluam na declaração final.

"Temos diferenças, não só entre nós, mas também entre nossas regiões, isto é a força das democracias e a diferença dentro da unidade", destacou, por sua vez, a chefe da diplomacia europeia.

Até a noite de terça-feira, em Bruxelas, as duas partes continuavam negociando os termos da declaração.

O encontro de ministros também foi a oportunidade de evocar os outros temas do texto final. A luta contra as mudanças climáticas, com vistas à conferência de dezembro, em Paris.

Dando conta dos debates, Patiño defendeu "dar uma voz forte às regiões para um acordo ambicioso e juridicamente vinculante" sobre o clima em Paris.

"O trabalho para alcançar um acordo vinculante em Paris é crucial. Não podemos permitir que fracasse" a conferência, disse Mogherini.

Além das mudanças climáticas, os ministros discutiram, segundo Mogherini, o desenvolvimento sustentável, o tráfico de seres humanos, a proliferação nuclear, o combate ao narcotráfico - temas evocados nas duas declarações finais da cúpula, a cujo esboço a AFP teve acesso.

"O mundo mudou. A América Latina e o Caribe mudaram, assim como a União Europeia. Mas nossa associação é mais relevante e forte hoje do que no passado", disse Mogherini.

Esta cúpula entre duas regiões, que juntas somam um terço dos membros da União Europeia, é a segunda realizada desde que a Celac foi criada.

AFP