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Violência aumenta na América Central após breve trégua pela COVID-19

Cadáveres em bolsas voltaram a aparecer nas ruas de Tegucigalpa afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 22. agosto 2020 - 13:17
(AFP)

Os cadáveres em sacolas e lençóis reapareceram nas ruas da capital de Honduras, em meio ao ressurgimento da violência que afeta o norte da América Central após uma trégua devido ao isolamento para conter o avanço da COVID-19.

Em uma só noite, em 13 de agosto, ocorreram ataques sincronizados das gangues em diferentes pontos de Tegucigalpa, deixando cinco mortes que as autoridades atribuíram à "guerra" entre as gangues pelo controle dos territórios.

As gangues que assassinam, extorquem e assaltam aterrorizam há décadas a população das principais cidades dos países do Triângulo Norte da América Central -Guatemala, El Salvador e Honduras- muitas vezes com a cumplicidade dos policiais.

Em meados de março, foi registrada uma redução das operações de gangues criminosas nos três países, quando os governos ordenaram o confinamento da população para diminuir a propagação da pandemia que então assombrava a América Central.

- Ataques de gangues -

No entanto, após algumas semanas de baixa, a criminalidade voltou a se desenfrear, especialmente em Guatemala e Honduras, com ataques de gangues enquanto persiste o isolamento com tímidas medidas de reabertura da economia.

A mudança foi evidente em Honduras com a aparição de corpos em sacolas e lençóis nas vias públicas e massacres a tiros de três ou mais pessoas.

No decorrer deste ano, Honduras registrou "24 homicídios múltiplos nos quais mais de 80 pessoas morreram", disse a diretora do Observatório da Violência da Universidade Nacional, Migdonia Ayestas.

Em agosto de 2019, havia 144 vítimas de homicídios múltiplos, mas Ayestas explicou que não se pode comparar devido ao toque de recolher vigente este ano.

Segundo a polícia hondurenha, até meados de agosto de 2019 foram registrados 2.322 assassinatos e no mesmo período de 2020 o número foi 1.934, em uma população de 9,3 milhões de habitantes.

A Guatemala acompanha Honduras com níveis elevados de homicídios, enquanto El Salvador mantém uma redução substancial, que especialistas atribuem a ações empreendidas pelo governo de Nayib Bukele.

A Guatemala registrou 1.909 homicídios de janeiro a julho de 2020, enquanto em 2019 chegaram a 2.805, com uma população de mais de 17 milhões de habitantes.

Segundo a Polícia Nacional Civil (PNC) da Guatemala, depois de 26 de julho, quando os horários do toque de recolher foram reduzidos e o comércio reabriu, vários ataques armados de gangues que haviam deixado de operar durante os meses de confinamento voltaram a acontecer.

Contrário a Honduras e Guatemala, El Salvador não apresentou um surto na violência criminal.

Com 6,6 milhões de habitantes, El Salvador conseguiu diminuir os homicídios de 1.729 de janeiro a julho de 2019 para 692 no mesmo período de 2020, sem registrar um aumento no período de reabertura.

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