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Violinista relata como interpretou Gershwin enquanto tinha tumor cerebral removido

A musicista Dagmar Turner concede entrevista à AFP em sua residência, no Reino Unido afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 27. fevereiro 2020 - 19:20
(AFP)

Interpretar Gershwin durante uma cirurgia "é a última coisa a se imaginar", reconhece a alemã Dagmar Turner. No entanto, a violinista, 53 anos, realizou este exercício inédito, como forma de proteger seu cérebro enquanto um tumor era removido.

Algumas semanas depois da cirurgia, que ocorreu no mês passado em Londres, Turner, integrante da orquestra sinfônica da Ilha de Wight, no sul da Inglaterra, relata à AFP a curiosa experiência de ser acordada no meio da anestesia para que tocasse o instrumento.

"Foi como acordar de um sonho realmente profundo", explica a violonista, que em 2013 foi diagnosticada com um tumor cerebral de progressão lenta.

"A primeira coisa que me lembro é de quando colocaram um violino na minha frente", em um gesto que dizia "toca agora, Dagmar, toca".

"Eu queria dizer a eles 'me deixem dormir', foi simplesmente horrível", explica a alemã, sentada na sala de sua casa, a poucos metros do mar.

Ela tem a lembrança de que "alguém estava em pé perto da sua cabeça (...) dizendo 'Dagmar, acabamos de retirar 95% do seu tumor'".

"Estava realmente surpresa, sem palavras. Um dia você tem um tumor inoperável e no dia seguinte te dizem que retiraram 95% dele".

O propósito desse peculiar concerto na sala cirúrgica não era artístico, mas médico.

Com ele buscava-se proteger as células vitais do lóbulo frontal direito do seu cérebro. Essa zona, situada justo ao lado da área operada, controla, entre outras coisas, a mão esquerda, essencial para que ela toque o instrumento.

- Acordada em plena operação -

"Fiquei totalmente horrorizada quando meu novo oncologista me disse que pensava que a operação poderia afetar minha capacidade de tocar", lembra.

Foi então que sugeriu que poderia tocar violino durante a intervenção. E o seu neurocirurgião, Keyoumars Ashkan, do King's College Hospital, em Londres, aceitou.

"A música cura", afirma a violonista, "a música conecta a gente".

A equipe de médicos indicou que a acordariam no meio do procedimento cirúrgico, para que pudesse tocar e analisá-la, de forma a ter certeza que a coordenação dos seus movimentos não tivesse sido afetada pela cirurgia.

Para essa apresentação, Turner tinha pensado inicialmente em tocar "um pouco de Bach, um pouco de Bethoven, um pouco do concerto para violino de Tchaikovsky".

No final, acabou optando por "Summertime", de Gershwin, porque sabia a canção de cabeça.

"Quando aprende a tocar um instrumento sendo criança, tem que tocar muitas músicas usando somente a memória, mas na minha idade às vezes as esqueço", explica.

Um impressionante vídeo da operação, publicado pelo hospital, mostra ela tocando enquanto os cirurgiões realizam a intervenção em sua cabeça aberta.

"É muito estranho porque não dá para sentir nada do que estão fazendo dentro da sua cabeça, já que você não tem sensações", disse.

A operação aconteceu em janeiro e Turner foi liberada do hospital três dias depois.

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