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As contradições de Menen

A candidatura de Carlos Menen às eleições de março pode ser impugnada. Keystone

O ex-presidente argentino havia jurado que não tinha contas bancárias no exterior. Semana passada ele confessou que tem uma conta na Suíça desde 1986, o que pode impugnar sua candidatura.

Este conteúdo foi publicado em 28. julho 2002 - 08:34

A justiça argentina abriu um inquérito contra Menen por ele ter afirmado, sob juramento, que nunca havia tido contas no exterior.

Conta milionária

Na semana passada, o ex-presidente declarou que abriu uma conta na Suíça, em 1986, com a indenização que recebeu do Estado argentino pelo período em que ficou preso durante a ditadura militar. Menen precisou que essa conta "não tem mais de 600 mil dólares".

Quarta-feira, 24/7, o diário "Página 12", de Buenos Aires, noticiou que a brevemente as autoridades suíças divulgarão brevemente a existência de uma conta milionária de Menen na Suíça.

As informações contidas nesse artigo "não correspondem à realidade e nos supreendem", declarou à swissinfo a porta-voz do Ministério suíço da Justiça e Polícia, Adriene Lotz.

Armas e terrorismo

Ela reiterou que a Suíça recebeu dois pedidos de informação judiciária da Argentina, uma sobre venda ilegal de armas à Croácia e ao Equador e outra relativa ao atentado contra a Associação Mutual israelita Argentina (AMIA), em Buenos Aires. Nesse atentado, em 1994, morreram 85 pessoas. Nos dois casos, a Suíça solicitou mais informações à justiça argentina.

Entre 1991 e 1995, 6.500 toneladas de armas foram enviadas à Croacia, em plena guerra dos Bálcãs, e 75 toneladas foram entregues ao Equador, em conflito com o Peru, violando o embargo da ONU.

No caso da AMIA, as autoridades judiciais argentina procuram saber se Menen recebeu realmente 10 milhões de dólares do Irã, através de uma conta bancária em Genebra, para não permitir que as investigações revelassem a autoria do atentado.

Menen e Irã desmentem

Essa hipótese é baseada em declarações de Abdolghassem Mesbani, um desertor dos serviços de espionagem iranianos que já foi interrogado duas vezes pela justiça argentina. Segundo o diário "Clarín", de Buenos Aires, a Argentina solicitou à Alemanha autorização para interrogá-lo novamente.

Recentemente, o New York Times publicou novas declarações de Mesbani em que afirma que o dinheiro foi transferido para a conta de Menen de outra conta em bancos suíços controlada pelo expresidente iraniano, Hashemi Rafsanyani.

Contas existem

Menen negou as acusações e anunciou que vai processar o jornal americano por injúria e difamação. Autoridades iranianas também negaram qualificando o artigo do NYT "um delírio jornalístico".

Em janeiro, o então procurador de Genebra, Bernard Bertossa, confirmou que havia duas contas bloqueadas em Genebra, uma em nome de Menen e outra em nome de alguns de seus colaboradores. As duas contas contém cerca de 10 milhões de dólares.

Em todo caso, o fato de Menen ter reconhecido que tinha uma conta na Suíça pode impugnar sua candidatura à presidencia por não tê-la declarado ao fisco.

Swissinfo/Belén Couceiro

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