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Melhor perder a carteira cheia que vazia

As chances de uma carteira ser entregue aumentam em proporção direta à quantidade de dinheiro dentro dela, de acordo com um estudo divulgado na quinta-feira por várias universidades, incluindo a Universidade de Zurique.

Este conteúdo foi publicado em 21. junho 2019 - 07:45
Na Suíça, você tem três chances em quatro de que sua carteira perdida seja entregue © Keystone / Christian Beutler

Com o objetivo de testar a hipótese de que a tendência das pessoas a agir honestamente seria comprometida por incentivo financeiro, os pesquisadores realizaram um experimento no qual mais de 17.000 carteiras "perdidas" foram deixadas em 355 cidades em todo o mundo.

As carteiras continham itens pessoais, como cartões, listas de compras e chaves - além de não ter dinheiro, uma pequena quantia em dinheiro ou uma grande quantia em dinheiro. Todas foram deixadas em áreas movimentadas, como lobbies de hotéis, museus ou perto de delegacias de polícia, dando muitas oportunidades de serem devolvidas pelas pessoas que as encontrassem.

Em 38 dos 40 países estudados, quanto mais dinheiro na carteira, maior a probabilidade dela ser entregue. Globalmente, as carteiras com pouco dinheiro tinham 51% de chance de serem anunciadas; as com muito dinheiro, 72%.

Carteiras sem dinheiro eram menos propensas a serem entregues, em uma média de 40%.

Interesse próprio ou boa vontade?

Dos países pesquisados, a Dinamarca foi a mais correta: 82% das pessoas que acharam entregaram as carteiras de alto valor. A Suíça também foi bem classificada e foi notável por não distinguir muito entre os diferentes valores em dinheiro; de nada a muito, as carteiras eram em geral entregues entre 73% e 78% das vezes.

Em países como China, Peru, Cazaquistão e Quênia, as carteiras eram devolvidas entre 8% e 22% do tempo.

O pesquisador Michel Marechal, da Universidade de Zurique, disse à imprensa na quinta-feira (20) que o objetivo do estudo era pesquisar os fatores que influenciam a honestidade humana diariamente.

Explicando o resultado, ele disse que as pressões negativas podem ser o fator decisivo: em vez de agir com puro altruísmo, as pessoas tendem a associar a guarda das quantias mais altas com o roubo e simplesmente não querem a culpa associada a isso.

"As pessoas querem se ver como honestas, não como ladrões", disse. Ficar com uma carteira que você encontrou leva à necessidade de ajustar sua autoimagem de acordo com isso - o que resulta em um custo psicológico.

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