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Conclave para eleição do papa começará em 7 de maio

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Os cardeais da Igreja Católica decidiram, nesta segunda-feira (28), que iniciarão as votações para escolher o sucessor do papa Francisco em 7 de maio. O novo papa herdará grandes desafios como o combate a abusos sexuais dentro do clero. 

Os chamados “príncipes da Igreja” ficarão trancados a partir desse dia, na majestosa Capela Sistina para eleger o novo líder espiritual de 1,4 bilhão de fiéis, e não poderão sair até que a fumaça branca preceda o esperado “Habemus papam”.

É um processo que desperta fascínio há séculos. 

O conclave que levou à escolha de Francisco em 2013 demorou dois dias, a mesma duração do de seu antecessor, Bento XVI, oito anos antes. 

O jesuíta argentino faleceu há uma semana e no sábado foi enterrado após um adeus solene diante da presença de líderes internacionais e de 400.000 pessoas. 

“Confio plenamente que o espírito santo estará iluminando os cardeais”, disse à AFP Elena de Espino, uma aposentada peruana de 65 anos em visita a Roma. 

Emilia Greco, italiana, também aposentada, celebrou por sua vez “todas as portas que o papa Francisco abriu à esperança, aos esquecidos, aos pobres” e pediu ao próximo pontífice “uma Igreja verdadeiramente inclusiva”. 

– “Protegê-los” –

A data foi definida na quinta reunião cardinalícia desde a morte do primeiro papa latino-americano, que abordou “temas de particular relevância para o futuro da Igreja” como “alguns dos desafios que se destacam”. 

“A evangelização, a relação com outras confissões, a questão dos abusos”, afirmou o Vaticano em um comunicado.

A avalanche de revelações sobre crimes sexuais do clero foi um dos desafios mais dolorosos de Francisco, que sancionou prelados e tornou obrigatório denunciar qualquer fato suspeito.

Anne Barrett Doyle, da ONG americana Bishop Accountability, aplaudiu a importância que os cardeais deram à questão. 

A Igreja “cuida de milhares de crianças” e “a obrigação mais sagrada do próximo papa deve ser protegê-los dos abusos”, disse a codiretora dessa organização que documenta a violência clerical. 

–  “Continuidade” – 

Os cardeais participarão na quarta-feira da próxima semana em uma missa solene na Basílica de São Pedro, no Vaticano. 

Aqueles com direito a voto – os que têm menos de 80 anos – ficarão trancados para votar em um processo secreto, que pode durar vários dias.

O Vaticano ainda não confirmou quantos dos 135 “cardeais eleitores” participarão do conclave. 

Um total de 80% deles foram designados por Francisco, muitos procedem de regiões do mundo historicamente marginalizadas pela Igreja e muitos não se conhecem.

“Nosso desejo é encontrar alguém que se pareça com Francisco, não que seja o mesmo, mas em continuidade”, declarou o cardeal argentino Ángel Sixto Rossi, de 66 anos.

O estilo e as reformas impulsionadas por Francisco despertaram, no entanto, críticas entre os setores mais conservadores, que agora apostam em uma mudança mais focada na doutrina. 

– Parolin favorito –

Os dois últimos conclaves, de 2005 e 2013, duraram dois dias. 

O italiano Pietro Parolin aparece como um dos favoritos, à medida que aumentam os conflitos e as crises diplomáticas no mundo. O cardeal atuou como secretário de Estado com Francisco, depois de ocupar o posto de núncio na Venezuela.

A casa de apostas britânica William Hill o coloca à frente do filipino Luis Antonio Tagle, seguido do cardeal ganês Peter Turkson e do também italiano Matteo Zuppi.

O conclave se popularizou ainda mais após o premiado filme homônimo de Edwar Berger, que joga com as tensões entre facções do Vaticano. 

“É uma oportunidade para mostrar ao mundo que filmes como ‘Conclave’ e outros semelhantes não são a realidade”, disse o cardeal espanhol Cristóbal López Romero ao portal oficial Vatican News.

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