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Cruz Vermelha pede respeito aos médicos em Gaza

Hospital Shifa: crianças palestinas que teriam sido mortas durante os ataques de Israel a Gaza. Keystone

O presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, em visita à Faixa de Gaza, pediu respeito às equipes médicas que tentam salvar a vida de civis.

Este conteúdo foi publicado em 13. janeiro 2009 - 20:58

Jakob Kellenberger, que dirige a organização sediada em Genebra, lançou esse apelo terça-feira após visitar o hospital Shifa, em Gaza. Ele também tem encontros marcados com autoridades palestinas e israelenses.

"É absolutamente necessária e inegociável a proteção das equipes médicas neste conflito", afirmou o ex-diplomata suíço, que preside o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), em Genebra.

Ele descreveu a situação como "realmente muito grave. É preciso ver para crer como a situação é muito difícil".

No mínimo 900 palestinos foram mortos até agora na ofensiva iraelense contra os militantes do Hamas, segundo fontes médicas palestinas.

"O presidente quis ver com os próprios olhos e dar apoio ao nosso pessoal e ao Crescente Vermelho Palestino, que trabalham no hospital Shifa, e ter uma idéia mais precisa dos problemas enfrentados pela população civl", declarou à swissinfo o portavoz do CICV, Simon Schorno.

Há mais de uma semana, o CICV qualificou a situação em Gaza de crise humanitária. "Isso não mudou", acrescentou Schorno.

Em comunicado divulgado segunda-feira (12/01), o CICV afirmou que as pessoas ainda estavam submetidas a violentos bombardeios em Gaza e que os foguetes lançados de Gaza continuam a causar feridos no sul de Israel.

Na Faixa de Gaza, centenas de famílias abandonaram suas casas na região norte para buscar refúgio na região sul.

Mais de 28 mil pessoas foram descolocadas e estão atualmente alojadas em 36 acampamentos provisórios das agências humanitárias das Nações Unidas e de ONGs. Até escolas foram transformadas em abrigos, explicou o portavoz.

"Muitos problemas"

"A população de Gaza enfrenta atualmente muitos problemas graves", afirma Schorno, acrescentando que a maior dificuldade é encontrar um mínimo de segurança para os civis.

"Nossos médicos no hospital Shifa atendem muitas mulheres e crianças gravemente feridas. É indescritível o grau de violência e como essa violência atinge civis", precisa o portavoz.

"A prioridade número um é a proteção de civis - e certamente o respeito ao trabalho médico e humanitário. Isso permitiria trabalhar melhor e salvar mais vidas." O CICV afirma que os hospitais estão abarrotados de feridos.

"Muitas pessoas chegam com ferimentos múltiplos e o número de amputações está aumentando", afirma Alice Nielsen, delegada do CICV no hospital Shifa. A equipe de cirurgiões do CICV em Shifa confirmou também o aumento do número de crianças nas salas de emergência.

Muitos hospitais na Faixa de Gaza continuam a funcionar dia e noite com geradores para tentar operar e atender o máximo de pessoas.

No hospital Shifa, os geradores funcionam a óleo e são tratados 470 pacientes graves, inclusive com 60 lugares na unidade de terapia intensiva, afirma o CICV.

"Nossa equipe de cirurgiões trabalha no hospital Shifa mas só é possível trazer os pacientes se as partes em conflito permitem a passagem de nosso pessoal e do Crescente Vermelho Palestino", explica Antoine Grand, chefe da missão do CICV em Gaza. "Agora temos acesso de vez em quando para evacuar uma pessoa ferida."

Prazo insuficiente

Schorno disse ainda à swissinfo que as três horas diárias de trégua nos combates não são suficientes para o CICV trabalhar como gostaria.

"Esse prazo é muito curto para ter acesso à população civil e evacuar os feridos para os nossos colegas do Crescente Vermelho Palestino. Esse acesso deveria ocorrer sempre e isso é o que pedimos às autoridades israelenses."

Segundo o CICV, nas áreas mais atingidas pelos combates, raras são as pessoas que saem às ruas durante as três horas de trégua. Também ocorrem combates mesmo durante essas breves tréguas.

"As pessoas correm aos supermercados para tentar comprar o máximo possível de comida, prevendo que novos e violentos combates podem ocorrer durante dias, disse Grand. "As prateleiras estão quase vazias e os preços muito altos."

Formam-se longas filas à espera que o comércio abra na cidade de Gaza. As pessoas não têm escolha, mas tentam comprar antes que a trégua termine, diz o CICV.

swissinfo, Robert Brookes

Atividades do CICV

A equipe do CICV em Gaza tem 14 expatriados e 60 palestinos que trabalham em estreita colaboração com o Crescente Vermelho Palestino.

Na segunda-feira, no hospital de Shifa foram atendidos cem pacientes e feitas 25 cirurgias.

O CICV também escoltou caminhões que trouxeram combustível do norte de Gaza para o hospital Europeu em Khan Yunis.

Sete caminhões do CICV transportando 180 pacotes de equipamentos médicos entraram em Gaza no último domingo. Seringas, soro e outros produtos foram distribuídos ao Ministério da Saúde e ao Crescente Vermelho Palestino.

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