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Deco: "Portugal pode ir longe e chegar à final"

Deco quer voltar ao Brasil depois da Copa. Keystone

O paulista Anderson Luís de Souza, "Deco", defende a camisa de Portugal e enfrenta o Brasil no Grupo G da Copa do Mundo na África do Sul.

Este conteúdo foi publicado em 05. maio 2010 - 11:46

Na entrevista a seguir, ele fala sobre as perspectivas da equipe no Mundial, seus 20 anos de experiência no futebol europeu e o desejo de retornar ao Brasil.

Todos os sorteios da fase final de uma Copa do Mundo da FIFA reservam alguns momentos que provocam perplexidae de quem acompanha a cerimônia. São aqueles poucos segundos que levam os adeptos, imediatamente, a imaginar e sonhar com grandes duelos na fase de grupos.

Quando a primeira fase da África do Sul 2010 foi sorteada em dezembro, na Cidade do Cabo, um desses grandes momentos de 'frisson' surgiu com a definição do Grupo G. O sempre favorito Brasil viu-se, de repente, lado a lado não só com a força da Costa do Marfim e a imprevisibilidade da Coreia do Norte, mas também com Portugal - um rival de longa data no futebol e um país com o qual tem estreitos laços históricos. No instante seguinte, já não faltavam referências aos duelos recentes entre os dois países lusófonos ou aos atletas nascidos no Brasil que defendem a seleção portuguesa.

Esta história não é novidade para Anderson Luís de Souza, Deco para o futebol mundial. O auge da sua carreira foi recheado do debate Brasil x Portugal. Nascido em São Bernardo do Campo, o médio transferiu-se para o futebol português em 1997, com 20 anos, e jogou em terras lusas até 2004. Em março de 2003, e debaixo de alguma polémica, foi convocado pelo compatriota Luiz Felipe Scolari para defender as cores Portugal pela primeira vez, num amigável contra... o Brasil. Deco não se intimidou e, depois de entrar no decorrer da partida, marcou o golo da vitória, por 2 a 1, na cidade do Porto.

Depois do baptismo de fogo, voltou a ser titular noutra vitória portuguesa sobre os brasileiros - 2 a 0 em Londres, em Fevereiro de 2007, a primeira derrota de Dunga no comando da seleção. E esteve, também, na derrota (6 a 2) sofrida pelos portugueses em novembro de 2008. Assim, no que diz respeito ao duelo que fechará o Grupo G, em Durban no dia 25 de junho, Deco está mais do que acostumado à pressão.

O médio do Chelsea conversou com o FIFA.com sobre esse confronto e sobre as expectativas de Portugal no regresso a uma Copa do Mundo, depois da excelente campanha protagonizada pela equipa das Quinas até ao quarto lugar no Alemanha 2006.

É um dos resistentes da equipa portuguesa que foi às meias-finais da Copa do Mundo da FIFA há quatro anos. Que recordações tem do torneio?
A Copa do Mundo é algo completamente diferente. É o máximo a que um jogador pode chegar em termos de selecção; não existe nada que seja, sequer, parecido. Fiz alguns bons jogos, mas foi uma competição um pouco difícil, porque me magoei logo no início do Mundial e nunca consegui estar ao meu melhor nível. Sei que poderia ter feito mais se não tivesse tido aquele problema físico. Mas lembro-me que foi um excelente Mundial para nós. Jogámos bem a meia-final e perdemos com a França nos pequenos detalhes. Eles marcaram primeiro e acabamos por perder a chance de chegar à final. Mas no global, foi uma Copa excelente.

Quais as principais diferenças entre a equipa que foi à Alemanha e a que vai à África do Sul, atendendo a que até o selecionador é diferente – Luiz Felipe Scolari por Carlos Queiroz?
Muitos jogadores que defenderam Portugal em 2006 já não fazem parte do grupo e, por isso, temos muitos atletas que vão disputar uma grande competição pela primeira vez. Julgo que temos a mesma qualidade, embora com menos experiência do que em 2006. Até mesmo no banco: o Felipão já tinha vencido uma Copa com o Brasil e orientado Portugal no Euro 2004, enquanto Queiroz terá pela frente a sua primeira grande competição no comando da equipe. É um excelente treinador, que terá em mãos um grupo de jogadores muito bom. Por isso, acho que temos tudo para ter sucesso.

Considera Portugal um dos favoritos ao título?
Não, porque favoritas são aquelas seleções que têm história em mundiais. Portugal não tem esse historial, nunca ganhou uma Copa. Por isso, não pode ser considerado favorito. Mas temos, isso sim, uma equipa com grande qualidade, com grandes jogadores e que pode ir longe e chegar à final. Mas não podemos falar em favoritismo.

O que tem faltado a Portugal para, apesar de todo o talento que constantemente mostra, ser uma selecção que conquista títulos?
Ganhar uma Copa não e fácil. Não é à toa que são poucos os países que ganharam até hoje. Há grande seleções que nunca venceram um Mundial, porque muitas vezes a diferença faz-se em pequenos detalhes... e um pouco de sorte também ajuda nos momentos decisivos. É difícil explicar, mas ganhar uma Copa não é nada fácil.

Tanto no Real Madrid como na selecção portuguesa, fala-se de uma suposta dependência de Cristiano Ronaldo. Que verdade há nisso?
Nós ganhamos vários jogos sem o Cristiano Ronaldo, assim como ganhamos com ele em campo. Hoje em dia, não existe essa história de uma grande equipa depender de apenas um jogador. O próprio Manchester United continua muito bem depois da saída do Ronaldo e o Real já ganhou jogos sem ele, assim como Portugal. Claro que qualquer grande jogador faz falta, isso é indiscutível, mas a selecção portuguesa não é dependente do Cristiano, como nenhuma dessas equipas é ou era. Claro que todas as equipas querem ter os melhores jogadores e que esses fazem falta. Claro que o Ronaldo, como um dos melhores do Mundo, faz falta, mas não me parece correcto falar em dependência.

O duelo Brasil x Portugal está cheio de histórias interessantes em relação aos jogadores brasileiros naturalizados. O Deco passou por isso e já teve a chance de enfrentar a seleção brasileira três vezes. Essa experiência ajuda?
É uma experiência interessante, sem dúvida, mas é completamente diferente disputar um amigável ou encarar uma partida da Copa do Mundo. É bom eu já ter passado por isso e saber o que significa jogar contra o Brasil; a diferença que isso faz. Mas a Copa do Mundo é outra história. De qualquer forma, não podemos pensar que existe algum sentimento negativo, bem pelo contrário. Sou brasileiro, naturalizei-me por um país onde vivi muitos anos e que me deu tudo. E ponto final. No final de contas, trata-se mesmo é de mais um grande jogo. Mas, na verdade, acho que nosso grande desafio é o primeiro jogo. Vencendo na estreia contra a Costa do Marfim, as chances de passar a fase de grupos são muito grandes. A seleção que perder vai ter muita dificuldade em passar à próxima fase.

Portugal tem essa estreia complicada contra a Costa do Marfim e encerra a primeira fase diante do segundo classificado no ranking Mundial da Fifa/Coca-Cola, o Brasil. Nas oitavas de final, alguma equipa do Grupo G pode enfrentar o líder do ranking, a Espanha. Existe preocupação por ter de enfrentar tantos grandes jogos em tão curto espaço de tempo?
Não temos problemas em defrontar seja que adversário for. Se tivermos que jogar, é o que faremos. Ir a uma Copa do Mundo a pensar em contra quem se vai jogar, em escolher o adversário, não faz sentido: para isso, mais vale ficar em casa.

Os seus planos para o futuro incluem, de facto, um regresso ao Brasil? Ou, pelo contrário, pondera voltar a jogar no futebol português?
Vou voltar a morar no Brasil por questões pessoais: tenho a minha família lá e, afinal, já estou na Europa há 13 anos. Tenho uma casa no Porto e um carinho enorme por Portugal e pela cidade Invicta, mas nasci no Brasil e é lá que está minha família e o projeto social Instituto Deco, em Indaiatuba. Quero voltar e é o que vai acontecer quando acabar meu contrato com o Chelsea, em 2011. Se estiver em boas condições para ajudar alguma equipa brasileira, volto também para jogar.

© Fifa.com: pt.fifa.com/worldcup/news/newsid=1198828
Publicação na swissinfo.ch com autorização da Fifa

Ficha técnica

Deco nasceu em 27 de agosto de 2007 em São Bernardo do Campo. Desde 2003, tem dupla nacionalidade – brasileira e portuguesa.

Títulos

Campeão espanhol (2005 e 2006)
Liga dos Campões (2006)
Supercopa da Espanha (2006 e 2007)

Taça de Portugal (2000, 2001 2003)
Supercopa de Portugal (1999 e 2003)
Liga Portuguesa (1999, 2003, 2004)
Copa da Uefa (2003)
Liga dos Campeões (2004)

Vice-campeão da Eurocopa 2004

Título pessoal: Bola de Prata em 2004

Pelo Barcelona:

A Liga: 2004-2005 e 2005-2006
Supercopa da Espanha: 2005 e 2006
Liga dos Campeões: 2005-06


Pelo Chelsea:

FA Cup: 2008-09
Community Shield: 2009

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