Candidato russo revelou corrupção na Suíça
O ex-procurador geral da Rússia Iuri Skuratov será um dos candidatos nas eleições presidenciais de março. Skuratov trabalhou com a justiça suíça, investigando dois casos de corrupção envolvendo próximos do presidente Yeltsin. Por isso perdeu o cargo.
O principal argumento eleitoral de Iuri Skuratov será a necessidade de combater a corrupção na Rússia. Por isso ele perdeu o cargo de Procurador Geral da República e busca agora uma espécie de revanche, candidatando-se à presidência.
Skuratov é conhecido das autoridades judiciárias suíças, a quem pediu colaboração nas investigações de dois casos graves de corrupção. O mais conhecido, e ainda não totalmente elucidado pela justiça russa, é o da construtora Mabetex, na suíça italiana. Para obter contratos de reformas no Kremlin, a construtora teria pagos propinas a Pavel Borodine, que era responsável pela gestão de bens do Kremlin e tido como muito próximo do presidente Yeltsin. Sob ordem judicial, a polícia suíça confiscou documentos na Mabetex e encontrou cartões de crédito emitidos em nome das filhas de Yeltsin.
Outro escândalo investigado por Skuratov foi o desvio de verbas da companhia aérea Aeroflot através de uma empresa em Lausanne. Nesse caso, um outro próximo de Yeltsin, Bóris Berezovski, estaria diretamente implicado. Esses dois casos continuam sendo investigados pela justiça russa com a colaboração da Suíça.
A ex-procurador Skuvatov foi afastado do cargo devido acusações sobre sua vida privada, divulgadas pela televisão. Segundo fontes russas, a operação teria sido montada pelo serviço secreto russo para desmoralizá-lo. Na época, o chefe do serviço secreto era o atual homem forte em Moscou, primeiro ministro e presidente interino Vladimir Putin.
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