Suíça endurece política sobre estrangeiros
Por decisão do governo o Secretariado da Comissão Federal dos Estrangeiros vai depender da Polícia Federal. Em protesto o presidente e vários membros da Comissão se demitiram, alegando que a polícia se ocupa mais de repressão que de integração.
Na quarta-feira, o governo suíço decidiu enquadrar o Secretariado da Comissão Federal de Estrangeiros à Divisão Federal dos Estrangeiros. Isso significa que a Comissão extra-parlamentar, integrada por 28 membros e que se ocupa de integração dos estrangeiros, passa a depender da Polícia Federal. O presidente da Comissão (Fulvio Caccia), a vice-presidente e diversos membros sindicalistas anunciaram imediatamente que se demitiam do cargo. Caccia lembrou que desde que foi criada em 1970, a Comissão que se ocupa de integrar e apoiar o estrangeiro teve que lutar contra a anexação à divisão da polícia federal “que se ocupa antes de mais nada de tarefas policiais”. Fulvio Caccia realça ser difícil persuadir os estrangeiros de que uma divisão que se ocupa de encargos policiais queira se ocupar de problemas de integração.(A Divisão Federal dos Estrangeiros tem incumbência em particular de impor contingentes de trabalhadores estrangeiros e conceder vistos de trabalho. Exerce controla estrito sobre a presença estrangeira no país). Em comunicado, os sindicatos acusam o governo de preferir a repressão à integração.
O governo se defende dizendo que o enquadramento é importante na perspectiva de aplicação de nova lei sobre os estrangeiros que incumbe a Confederação de apoiar financeiramente projetos de integração.
Na Suíça, um de cada cinco habitantes é estrangeiro. A maioria está bem integrada. Mas nos últimos anos com a afluência de imigrantes dos Bálcãs, Ásia e África, ou seja de países de culturas muito diferentes da européia, repreesentantes de 2 partidos politicos, socialista e democrata cristão, estimam que as autoridades precisam investir muito mais para integrar esses novos habitantes.
(Note-se que a imigração tradicional era procedente principalmente da Itália, Espanha e Portugal, ou seja pessoas de culturas que se adaptam mais facilmente ao estilo de vida suíço).
O governo suíço recebeu em outubro mais poderes do parlamento para agir nessa área, mas segundo representantes dos partidos socialista e democrata cristão tem feito corpo mole. (gb)
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