Suíça repete “mea culpa”
A presidente suíça, Ruth Dreifuss (foto), voltou a pedir oficialmente desculpa pela atitude do Governo em relação aos refugiados durante a Segunda Guerra Mundial. Ela reagia à publicação de estudo de comissão independente sobre a questão.
Esse relatório “nos lembra que a Suíça, nesse sombrio período da história da humanidade, não respondeu como podia e devia à sua tradição humanitária”. É o que disse a presidente suíça, reagindo a relatório de comissão independente de historiadores que após 3 anos de trabalho publicou estudo denunciando o “antisemitismo cultural” da Suíça e a dicriminação de refugiados judeus no período nazista.
A presidente reiterou as desculpas apresentadas em 1995 pelo governo a respeito da decisão tomada em l938 de carimbar com um J os passaportes de judeus alemães que queriam entrar na Suíça para escapar do regime nazista.
Ruth Dreifuss ressalvou “que grande maioria da população suíça rejeitou a ideologia nazista… Nosso país permaneceu uma ilha de liberdade e de democracia no coração de uma Europa entregue à barbárie nazista”.
Note-se que a publicação desse relatório ocorre em momento inoportuno porque dia 15 o atual Governo deve ser reeleito pelo Parlamento. A direita dura – representada pelo Partido Popular Suíço (SVP), vencedor das eleições parlamentares de outubro – não queria saber de desculpas pelo Governo. E estaria a fim de recuperar as conclusões do “Relatório Bergier” para atacar a presidente suíça que aliás é de origem judaica. Note-se que desde as eleições, o SVP manifesta intenção de reforçar sua posição na coligação governamental, elegendo um segundo membro para o executivo suíço. O SVP estima simplesmente que a Suíça não precisa desculpar-se pela sua atitude antes e durante a Segunda Geurra Mundial, negando qualquer responsabilidade naquele período…
Resta que a Comissão Bergier deve permitir que a Suíça entenda melhor, aceite e enterre seu passado. A comissão de nove membros é chefiada pelo historiador suíço Jean-François Bergier. Quatro membros vêm dos Estados Unidos, Grã-Bretanha, Israel e Polônia. Quatro são suíços. Ela foi apoiada por uma equipe de 30 pesquisadores que vasculharam bancos, seguradoras, intermediários como advogados e notários, e teve acesso mesmo a documentos submetidos a sigilo bancário.
O mandato da Comissão envolve investigação sobre transações em ouro com os nazistas, artigos roubados, política sobre refugiados, e a questão das contas inativas de judeus. Dessa última questão também a chamada “Comissão Volcker” se ocupou há poucos dias.
Um relatório final da “Comissão Bergier” é esperado dentro de 2 anos. (gb)
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