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Duas pátrias e uma camisa

O suíço-colombiano Johan Vonlanthen optou finalmente pela camisa suíça. Keystone Archive

As seleções juvenis de futebol evoluiram muito nos últimos anos, sobretudo graças aos jovens estrageiros que cresceram na Suíça.

Este conteúdo foi publicado em 23. fevereiro 2005 - 15:21

Mas muitos desses jovens nem sempre optam por jogar na seleção helvética, como demonstra o caso atual de Davide Chiumiento.

O futebol suíço é um bom espelho da sociedade. Para perceber isso, basta dar uma olhada na lista de nomes dos jogadores das diversas seleções nacionais.

Na Sub 19, por exemplo, aparecem não só nomes tipicamente suíços como Ziegler, König ou Burki, mas também Siqueira-Barras, Salamatic, Dzemaili, Zambrella ou Afonso. O mundo do esporte reflete cada vez mais a diversidade cultural da Suíça.

Mas os esforços realizados para encontrar e desenvolver jovens talentos no futebol podem não dar em nada, como demonstrou recentemente o caso de Davide Chiumiento, um médio ítalo-suíço, muito talentoso, que joga no Siena.

É só a ponta do iceberg

Tendo crescido no cantão de Appenzell, Davide Choumiento tem os passaportes suíço e italiano. No campeonato europeu Sub 21 o atleta jogou pela Suíça.

Depois disso, ele foi chamado várias pelo técnico da seleção titular Köbi Khun mas até agora não aceitou a convocação, sempre dando desculpas.

Seu sonho, na verdade, é integrar um dia a Squadra Azzurra, a seleção italiana. Porém isso pode não se concretizar se ele jogar uma única vez pela seleção suíça, mesmo em partidas amistosas.

O caso de David Chiumiento não é único. O mesmo já ocorrou com Johan Vontanthen, um suíço-colombiano que joga atualmente no Brescia.

Ele queria inicialmente jogar pela Colômbia mas mudou de idéia, optando pela Suíça. O resultado é que no ano passado, em Portugal, ele tornou-se o mais jovem artilheiro (18 anos) da história da Eurocopa.

Esse tipo de situação vai certamente se repetir com vários outros jovens talentosos que estão nas seleções inferiores.

O problema da dupla nacionalidade

A origem do problema está na modificação do regulamento da FIFA, com sede em Zurique.

Até 2003, os jogadores de dupla nacionalidade tinham de participar de um campeonato sempre pela mesma seleção. Mesmo que jogassem cinco minutos por uma seleção Sub 17, teriam de defender a camisa do mesmo país até o final da carreira.

Isso mudou em outubro de 2003, num congresso da Fifa realizado no Qatar. Agora, os jovens de dupla nacionalidade podem jogar até no Sub 21. O que determina a nacionalidade é jogar uma vez pela seleção titular (A).

Principalmente por dinheiro

"É pena ter de renunciar a esses jovens de talento depois que passamos anos os formando", constata com certo amargor o técnico da seleção suíça Sub 19, Pirerre-André Schürmann.

Ele está consciente da riqueza que a diversidade cultural traz ao grupo, mas chama a atenção para fato de "quando alguém decide se naturalizar, decide também vestir a camisa deste país".

Mas Schürmann lamenta que, hoje em dia, "o que manda é o dinheiro" e não mais o apego à camisa nacional.

Vestir a camisa suíça é uma honra

Empresário de atletas e ex-jogador, Walter Fernandez não concorda com esse diagnóstico. Para ele, a decisão dos jogadores é motivada por "razões do coração".

- Não creio que o principal objetivo de um jogador como o Chiumiento seja apenas dinheiro. No pior dos casos, ele pode pensar em ganhar mais títulos em sua carreira - afirma o antigo lateral esquerdo da seleção suíça.

Se um dia a seleção da Suíça puder contar com todos os talentos que crescem na Suíça, isso será também graças a empresários como Walter Fernandez. Um de seus "protegidos", o suíço-albanês Valon Behrami, volante do Verona cobiçado pelo Inter de Milão, já aceitou a convocação para a seleção A da Suíça.

- Mas é evidente que ninguém precisa ficar joelhos para convencer um jovem. Jogar para a seleção nacional deve continuar sendo uma honra - conclui Walter Fernanandez.

swissinfo, Daniele Mariani
Adaptação, Claudinê Gonçalves

Fatos

Principais resultados das seleções juvenís suíças:
Campeão do Euro 2002 no sub 17.
Semifinalista do Euro 2004 no sub 19.
Semifinalista do Euro 2002 no sub 21.

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