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Estagnação em alto nível

Apesar da tecnologia de ponta, reformas são necessárias para aumentar crescimento. Keystone

Pesquisas internacionais mostram que a Suíça ainda ocupa os primeiros lugares dentre as economias no mundo, mas que sofre um processo lento de decadência.

Este conteúdo foi publicado em 08. fevereiro 2005 - 07:59

Banco Mundial, Fundação Bertelsmann e o Fórum Econômico Mundial publicam dados que provam: a concorrência entre os países é cada vez maior.

Se o mundo fosse um campeonato de Fórmula 1 e os carros equipados segundo as condições econômicas de cada país competidor, a Suíça ainda estaria no grupo dos primeiros a cruzar a linha de chegada. Porém os comentaristas já percebem que a performance dessa equipe tem piorado a cada ano.

O paralelo entre o mundo do esporte e a posição da Suíça no ranking mundial da competitividade é demonstrado em diversas pesquisas internacionais, cujos resultados foram publicados recentemente e têm servido de pano de fundo para muitos debates políticos sobre o futuro do país dos Alpes.

Uma delas é de autoria da Fundação Bertelsmann, uma organização alemã ligada ao conglomerado da mídia com o mesmo nome. Com 87,6 pontos, a Suíça ocupa o 12o lugar no ranking do chamado “indicador do sucesso” dos vinte e um países mais industrializados no globo.

Irlanda em primeiro

O “indicador do sucesso” é uma análise que se concentra, sobretudo, nos quesitos mercado de trabalho e crescimento econômico. Com base nos dados fornecidos pela Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), ela avalia a performance dos vinte e um países industrializados através do Produto Interno Bruto (PIB) per capita, índice de desemprego, potencial de crescimento e ocupação.

Na liderança dos países mais dinâmicos estariam a Irlanda (primeiro lugar com 111,1 pontos), os Estados Unidos (em segundo, com 103,2 pontos), a Austrália (101,5 pontos) e a Noruega (101,3 pontos).

A Suíça pertence ao grupo de perdedores. Ela decaiu consideravelmente nos últimos anos, assim como a Bélgica, Portugal e Alemanha, a grande nação européia que ficou em último lugar na pesquisa.

Nela, seus autores acentuam que “a Suíça é ainda um país com alto nível de vida, mas cujos resultados econômicos mostram uma lenta decadência, como se vê na queda de doze pontos no indicador entre 1999 e 2004”.

A explicação está no fraco índice anual de crescimento dos últimos anos. Se o potencial de crescimento da Suíça é de apenas 1,0%, o estudo mostra muito mais vigor em outros países concorrentes. Um exemplo é a vizinha Áustria (2,1% de potencial de crescimento), a Holanda (2,2%) e a Inglaterra (2,5%).

Mesmo a posição de país mais rico do mundo já foi perdida: o PIB per capita, calculado em US$ 30.430 por habitante, é ultrapassado por cinco dos vinte e um dos países pesquisados.

Um deles é a pequena Irlanda que, com um PIB per capita de 33.955 dólares, tem um potencial de crescimento de impressionantes 5,3 por cento ao ano. É importante lembrar que a ilha já foi umas das regiões mais pobres da Europa, exportadora de mão-de-obra barata e que hoje é considerada um dos tigres europeus pela sua indústria de ponta e excelência em serviços.

Estagnação, mas com pouco desemprego

Porém a Suíça também tem seus trunfos na manga. Apesar do crescimento ter sido tão medíocre nos últimos anos, o país dispõe de condições propícias para um relançamento da economia.

Os pesquisadores da Fundação Bertelsmann elogiam o baixo nível de desemprego: com 4,2%, os índices da Suíça só são superados pelos da Holanda, com 3,8%. Também a redução do número de desempregados de longa duração, que passaram de 29% em 2000 para 21% em 2004, mostra que o governo suíço tem se esforçado para encontrar soluções ao problema.

Outro item em que a Suíça fica bem posicionada é a participação geral do Estado na economia: 38%, um dos índices mais baixos de todos os países pesquisados. A dívida pública dobrou desde 1990, mas corresponde a 56% do PIB, o que corresponde à média européia.

Também a carga de impostos para o trabalhador é considerada positiva na Suíça, sejam eles dos níveis elevados ou baixos de salários. Nos dois casos ela está na faixa dos 31%, uma carga bem abaixo de países como a Alemanha ou escandinavos, aonde mais da metade dos salários vão para os cofres do Estado.

Queda de posição em pesquisa do WEF

Na pesquisa anual “Global Competitiveness Report” (Relatório de Competitividade Global) do Fórum Econômico Mundial (WEF), cujos resultados são sempre publicados no momento da realização do encontro organizado pela instituição nas montanhas de Davos, a Suíça também aparece bem posicionada, apesar de ter decaído da sétima para a oitava posição.

Baseada em questionários enviados a 8.700 líderes empresariais de várias partes do planeta, a pesquisa analisa as condições econômicas, a qualidade das instituições públicas e capacidades tecnológicas de cada país. Os resultados são resumidos na forma de um índice chamado de “Global Competitiveness Index” (índice global de competitividade).

Em 2004, a Suíça ficou em oitavo lugar com o escore de 5,49 pontos, ficando apenas atrás da Finlândia, EUA, Suécia, Taiwan, Dinamarca, Noruega e Singapura.

Suíça: bom lugar para investir

Outras pesquisas iluminam vantagens da Suíça na competição internacional por investimentos. O “Doing-Business Report” é uma delas.

Realizada pelo Banco Mundial, ela analisa a duração e custos para a criação de uma empresa, os controles de demissão ou facilidade de crédito em 145 diferentes países do mundo. O objetivo é saber onde o clima é melhor para o investidor.

Para um investidor abrir uma empresa na Suíça são necessários seis passos, que consomem um tempo médio avaliado em 20 dias. Os países OCDE exigem uma média de seis passos, mas num espaço maior de tempo: 25 dias. Outra vantagem é que o investidor precisa de menos dinheiro para abrir sua empresa na Suíça: 33,2% do PIB per capita, sendo que a média européia é de 44,1%.

A interessante análise do Banco Mundial mostra também que no país dos Alpes é muito mais fácil contratar e demitir funcionários do que na maioria dos membros da OCDE. Além de ter uma das mais flexíveis legislações trabalhistas na Europa, na Suíça as indenizações em caso de desemprego são muito menores do que nos outros países concorrentes.

Números publicados nessas e outras pesquisas apenas mostram que a competição por um lugar ao sol é acirrada. Se a Suíça já dominou a "pole position" do campeonato internacional da economia, hoje ela está sendo ultrapassada por novos concorrentes. O “motor helvético” está precisando de reformas.

swissinfo, Alexander Thoele

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