General preso pela PF tinha plano pronto para gabinete pós-golpe e assassinato de Lula
Por Ricardo Brito
BRASÍLIA (Reuters) – O general da reserva Mario Fernandes, número dois de um ministério importante no Palácio do Planalto durante o governo Jair Bolsonaro, já tinha pronto um detalhado plano para a gestão da crise decorrente do golpe de Estado que ele e aliados planejaram em 2022 para impedir a posse do então presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive com o assassinato de Lula, segundo uma minuta apreendida pela Polícia Federal.
Fernandes foi um dos cinco presos na operação da PF deflagrada nesta terça-feira por suspeita de tramar ações para assassinar Lula, o então vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin, e o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, com o intuito de aplicar um golpe de Estado.
O general da reserva, que foi secretário-executivo da Secretaria Geral da Presidência de Bolsonaro, previa a ativação de um “Gabinete Institucional de Gestão da Crise” a partir de 16 de dezembro de 2022, um dia após do prazo previsto para a consumação do golpe e execução das autoridades, de acordo com a minuta, que consta de decisão judicial de Moraes divulgada pelo STF.
O documento previa que o general Augusto Heleno, então ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), seria o chefe do gabinete de crise, tendo como coordenador-geral o então vice-presidente da República Braga Netto — colega de chapa de Bolsonaro na eleição de outubro de 2022 em que Lula foi eleito.
A minuta também indicava que a missão do gabinete seria “realizar o acompanhamento das ações estabelecidas no Decreto Presidencial para analisar assuntos com potencial risco com o objetivo de prevenir e mitigar riscos nas ações estabelecidas e articular o gerenciamento da crise”.
A PF suspeita que essa minuta, assim como documentos anteriores de planejamento de execução de Lula e outras autoridades, teriam sido impressas no próprio Palácio do Planalto.