MP suíço investiga banco privado de Genebra envolvido na Lava a Jato

Uma mulher com um cartaz durante uma manifestação em São Paulo em apoio à Operação Java Lato, 6 de setembro de 2020. Keystone / Fernando Bizerra

O Ministério Público Federal abriu uma investigação criminal contra o Banque Cramer & Cie, sediado em Genebra, como parte de uma investigação mais ampla sobre corrupção na empresa petrolífera estatal brasileira Petrobrás e na construtora Odebrecht.

Este conteúdo foi publicado em 09. outubro 2020 - 09:54
swissinfo.ch/fh

A Procuradoria Geral da Suíça (MPC) confirmou na quinta-feira que tinha cerca de 40 processos criminais pendentes no caso Petrobrás-Odebrecht, dos quais três são contra instituições financeiras na Suíça. O último é contra o Banque Cramer & Cie, disse à AFP na quinta-feira, confirmando uma reportagem anterior do site online Gotham City.

O inquérito foi aberto em 1º de julho com base em informações "resultantes de outros processos criminais", no contexto deste vasto escândalo brasileiro.

O Ministério Público disse suspeitar de uma "falta de organização interna no banco que não teria permitido impedir a prática do delito de lavagem de dinheiro".

O Banque Cramer se recusou a comentar.

Inquérito na Suíça

O escândalo brasileiro da Lava a Jato é um dos piores escândalos de corrupção corporativa de todos os tempos no Brasil. Ele começou em 2014, com foco em subornos na Petrobrás, empresa petrolífera estatal, embora seu escopo tenha se expandido rapidamente. O caso envolveu políticos, empresas, bancos e procuradores de vários países, inclusive da Suíça.

Os promotores suíços disseram há um ano que tinham aberto uma investigação sobre o banco privado J. Safra Sarasin como parte do inquérito.

Em fevereiro de 2018, as autoridades suíças de controle financeiro consideraram o banco privado Lugano PKB, com sede na Suíça, culpado de infringir as regras de lavagem de dinheiro em relação ao escândalo de corrupção da Petrobrás e da Odebrecht no Brasil. O banco foi condenado a entregar CHF1,3 milhão (US$1,4 milhão) em ativos obtidos ilicitamente.

Um tribunal suíço em fevereiro de 2020 proferiu sua primeira condenação suíça em relação ao escândalo brasileiro Petrobrás-Odebrecht. Um homem suíço-brasileiro foi considerado culpado de cumplicidade no suborno de agentes estrangeiros e de crimes de lavagem de dinheiro na Suíça, Brasil e Portugal.

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