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Mulheres sub-representadas Homens são indicados a diretorias porque é ‘mais fácil’

Poucas mulheres ocupam cadeiras nas diretorias de empresas na Suíça - e a taxa é baixa se comparada a outros países europeus. Enquanto o parlamento adiou decisões sobre cotas, o mundo dos negócios tem ideias claras sobre o que deve ser feito.

Men in dark business suits, woman in colourful business attire

As mulheres ainda estão muito sub-representadas nos conselhos de administração das empresas suíças

(Peter Klaunzer / KEYSTONE)

O Senado descartou uma revisão da Lei de Empresas Suíças que teria incluído o problema sobre cotas femininas para diretorias de empresas. Agora, o texto voltou à fase de comitê, para ser revisado.

O dever mais importante da diretoria de uma empresa é de ver além da gerência do topo e ter uma vista de 360 graus do que deve ser feito. Isso é o motivo dos membros deverem ter, preferivelmente, diversas habilidades e experiências, opina Rudolf Meyer, membro fundador e presidente honorário da ActaresLink externo, organização que representa pequenos acionistas promovendo políticas empresariais sustentáveis.

Todavia, a maioria das diretorias suíças são dominadas ou completamente formadas por homens. Na verdade, apenas 16% de mulheres compõem as diretorias das 100 maiores empresas suíças. “Isso sendo que todo mundo sabe que transtornos de curto prazo são menos disruptivos e que mais decisões sérias são tomadas em comitês mistos. Também há uma performance melhor no geral”, diz Meyer, afirmando que há mulheres qualificadas o suficiente que cumprem os requisitos e estariam prontas para aceitar a responsabilidade e se envolver, adiciona ele.

Clube do bolinha

Em alguns casos, os jeitos diferentes que homens e mulheres se enxergam tem influência. “Homens são muito mais preparados para aceitar diversos mandatos, mesmo que em muitos casos você se pergunte como eles podem possivelmente gerenciar todas essas funções. Mulheres no geral são provavelmente mais cautelosas e conscientes nesse ponto”, pondera Meyer.

Ele argumenta que outra razão mais importante para a pouca representatividade de mulheres é o fato de simplesmente ser mais trabalhoso achar uma mulher que ocupe uma cadeira em uma diretoria. A maioria das firmas recrutam membros da diretoria por conta própria e geralmente com o mínimo de esforço. Isso significa escolher alguém do seu ciclo, conhecido por você. E como homens em geral têm uma rede de contatos melhor que mulheres, homens que saem da diretoria são normalmente substituídos por outros homens.

Essa também é a opinião do Fórum de Diretoria Suíço, SwissBoardForumLink externo ou SBF (anteriormente nomeado de Instituto Suíço para Membros de Diretoria), que tem interesse na “promoção de atividades profissionais de diretoria”. Para o SBF, o número baixo de mulheres nas diretorias não é causado por decisões contra as mulheres por si só, mas por “um certo desleixo ou até conveniência”.

O SBF concorda que as melhores diretorias possíveis são “diversificadas e um reflexo dos desafios, mercado e potencial da empresa”. Porém, acredita que é trabalho das empresas promoverem mulheres, e não de legisladores.

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Responsabilidade das empresas ou da lei?

O presidente da SBF, Silvan Felder, dá duas razões contra usar medidas legais para aumentar o número de representantes mulheres em diretorias executivas. “Empresas listadas estão em destaque mais do que nunca. Não podem mais continuar ignorando diversidade de gênero, especialmente por razões ligadas à imagem das empresas,” afirma Felder.

Além do mais, o Swiss CodeLink externo, Código Suíço de Melhor Prática para Governança Corporativa, elaborado pela Federação de Negócios Suíça economiesuisse, agora requer que empresas expliquem porque elas não aderem à composição de diretorias recomendada (incluindo representação de mulheres).

No entanto, essa recomendação não vai tão longe quanto a proposta do governo que quer cotas de gênero nas salas de diretorias de grandes empresas, com mais de 250 empregados, conservado na memória do Código de Obrigações - que regula leis de contrato e corporações.

Firmas teriam que garantir que 30% do conselho administrativo e 20% do conselho executivo seja feminino, nos próximos cinco e dez anos respectivamente.

Contudo, a conta não chega à impor sanções para empresas que falham na implementação de cotas. Em vez disso, propõe uma regulação “cumpra ou explique” como a melhor prática padrão.

Felder diz que diretrizes são desejáveis, mas se forem adicionadas na lei de companhias seriam “mais um exemplo de loucuras regulamentares na política”.

O grupo de acionistas Actares não concorda. Precisa haver uma abordagem mais radical à política, argumenta. Eles acolhem a proposta do governo. Meyes, presidente honorário do Actares, está maravilhado que a oposição a essa “solução flexível” também é forte no parlamento, porque isso não é um ataque tão significante na liberdade das empresas como oponentes dizem.

A proposta do governo foi aceita por uma margem pequena na Casa de Representantes, em junho. Mas, o senado não ficou feliz com o pacote inteiro de medidas a revisar a lei de companhias - não só por causa dos problemas de cotas - e mandou-o de volta para seu comitê legal na quinta-feira. Isso significa que a promoção de mulheres em diretorias está atualmente travada em um nível político.

Mulheres no comando

Em um recente informe na televisão pública suíça SRF sobre o problema de mulheres em diretorias, Karin Lenzlinger, que faz parte de várias diretorias, disse ser contra porque ela queria ser chamada para um cargo por sua experiência, não para preencher uma cota.

Firmas parecem estar procurando mulheres com experiência em diretorias ao invés de novos rostos, diz o relatório. Esther-Mirjam de Boer, a qual a companhia se especializa em achar membros de diretoria femininos, ressalta que mulheres com experiência em diretorias recebem com frequência múltiplos pedidos e não conseguem aceitar todo o trabalho oferecido. Por sua parte, Lezlinger entende que existem mulheres qualificadas o suficiente por aí, mas que elas devem se tornar mais visíveis. Ela fez isso participando de fóruns de negócios e se envolvendo na política.

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Adaptação: Tom Belmonte

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