Trabalhar na Suíça

O mito dos altos salários na Suíça

Se você é banqueiro, um diplomata suíço ou um CEO estrangeiro na Suíça, é bem provável que você esteja vivendo confortavelmente com um salário de seis a sete dígitos. Mas para a maioria da população, os salários altos na Suíça não são exatamente o que parecem. 

Este conteúdo foi publicado em 05. junho 2020 - 14:48
Paula Troxler (ilustração)

Com um salário médio de CHF6.502 (US$  6.860) por mês, não é de se admirar que a Suíça seja considerada um dos lugares mais atraentes para se trabalhar. Os salários médios de muitas profissões são mais altos do que os encontrados em outros países ricos. Por exemplo, um professor de pré-escola na Suíça ganha CHF 4.977, enquanto nos EUA esse mesmo profissional ganha CHF 2.400 mensais.  

Um vendedor/balconista ganha cerca de CHF 4.483 e um pedreiro formado com mais de quatro anos de experiência ganha em média CHF 5.553 por mês. Em outros países, estes empregos rendem em geral pouco mais que o salário mínimo. 

Mas, deduzidas as contribuições obrigatórias para previdência e seguro de desemprego, e outros 20% da renda bruta (pelo menos) para aluguel e serviços , o salário não parece tão generoso. Ao contrário de muitos outros países, os impostos e seguro de saúde também não são automaticamente deduzidos dos salários na Suíça - é preciso fazer provisões separadas para essas despesas, o que muitas vezes acaba se tornando uma dor-de-cabeça inesperada.  

A essa conta somam-se os custos de transporte, que drenam em média 8% da renda bruta, mais os custos das creches mais caras do mundo (para quem tem filhos em idade pré-escolar), e comida, bebida e lazer. Na chamada "ilha dos preços altos" que é a Suíça, o salário parece ainda mais medíocre. As famílias com um rendimento mensal bruto inferior a CHF 5.000 não conseguem poupar dinheiro, segundo as estatísticas governamentais.  

Cada vez mais teme-se que os salários tendam a estagnar enquanto o custo de vida continua a aumentar, com consequências particularmente terríveis para os trabalhadores com baixos salários. Cerca de 320.000 postos de trabalho - ou seja, 12% dos trabalhadores - são considerados de baixa remuneração. 

"Os aluguéis e mensalidades dos seguros de saúde estão a aumentar, enquanto os salários crescem em proporção bem inferior. É por isso que a situação da classe média baixa suíça está ficando cada vez mais precária", diz o professor Robert Fluder, da Universidade de Berna. 

Os empregos mal remunerados são mais frequentes entre as mulheres e os residentes estrangeiros. As estatísticas mais recentes mostram que metade de todos os empregos mal remunerados é feita por residentes estrangeiros e aproximadamente a mesma parcela é oferecida por empresas com menos de 50 funcionários. 

Em um país rico como a Suíça, as pessoas de baixa renda são muitas vezes obrigadas a gastar muito mais do que o necessário, o que dificulta especialmente o pagamento das contas. Mesmo as pessoas de rendimento médio-baixo correm o risco de escorregar para baixo na pirâmide social. 

"As pessoas de baixa renda estão sob muita pressão na Suíça", explica Andrea Schmid-Fischer, presidente da organização de aconselhamento orçamentário para consumidores Budget Advice Switzerland.  

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