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"Gaddafi tem três opções"

Manifestantes comemoram a captura em Trípoli do filho de Muamar Khadafi, Saif al-Islam, na cidade rebelde de Bengazi. Keystone

Tanques do governo bombardeiam parte do centro de Trípoli na segunda-feira (22/08), depois que tropas rebeldes invadiram o coração da cidade encontrando pouca resistência.

Este conteúdo foi publicado em 22. agosto 2011 - 13:05
swissinfo.ch com agências

Multidões saíram às ruas para celebrar o que viam como o fim do período de quatro décadas em que Muammar Gaddaffi esteve no poder.

O paradeiro do líder líbio ainda é desconhecido, mas rebeldes teriam detido dois dos seus filhos, Saif al-Islam e Mohammed.

Apesar da euforia entre as tropas rebeldes e seus partidários em Trípoli e outros lugares, um porta-voz rebelde identificado pela rede Al Jazeera como "Nasser" declarou que as tropas governamentais ainda controlariam entre "15 e 20 por cento da cidade".

O presidente americano, Barack Obama, afirmou que a Líbia "está escapando das mãos de um tirano" e instigou que Gaddafi abandone o poder para evitar mais derramamento de sangue.

"Sem dúvida o fim está próximo, mas ainda não chegamos lá, pois parte de Trípoli ainda continua a ser controlada por tropas de Gaddafi, incluindo o hotel onde os jornalistas estão", declarou Freddy Gsteiger, correspondente da rádio suíça DRS.

"Ainda há resistência no estratégico terminal petrolífero de Brega, mas uma reviravolta favorável para Kahdafi está basicamente fora de questão. Seu exército foi em grande parte destruído, suas linhas de suprimento foram cortadas em todos os lados. Nós certamente falamos agora da fase final do regime de Gaddafi."

Perigo continua 

Os rebeldes tomaram controle de grande parte de Trípoli em um avanço relâmpago no domingo, com moradores eufóricos celebrando na Praça Verde, o coração simbólico do regime de Kahdafi.

As defesas do regime desapareceram quando o regime de 42 anos no poder desmoronou, mas o paradeiro de Kahdafi é desconhecido e bolsões de resistência permanecem.

O porta-voz dos rebeldes, Mohammed Abdel-Rahman, que acompanha as tropas rebeldes em Trípoli, adverte que as tropas de Kahdafi continuam representando um risco para os rebeldes e que enquanto o líder líbio permanece presente "o perigo continua".

Gsteiger acrescenta ser imaginável um colapso rápido do regime, porém não estaria descartado mais derramamento de sangue.

"Mesmo com um pequeno grupo restante de soldados de Kahdafi ainda pode manter o conflito utilizando métodos terroristas. Para isso ele não necessitaria de exército organizado ou poder militar extenso. Isso também pode causar muitos danos", explicou. "Se Kahdafi quiser realmente lutar até a última gota de sangue, então poderemos ter muitas vítimas."

Do seu lado, Kahdafi, que tomou o poder através de um golpe militar em 1969, afirmou ter aberto os depósitos militares para armar a população.

Seu porta-voz, Moussa Ibrahim, previu um violento ajuste de conta com os rebeles. "Um massacre será cometido dentro de Trípoli se um lado ganhar agora, pois os rebeldes chegam com tanto ódio como uma "vendeta". Mesmo se o líder (Gaddafi) abandonar agora o país ou o poder, teremos um massacre."

Plano coordenado 

O avanço dos rebeldes, depois de um longo impasse nos seis meses de guerra civil, foi o ponto culminante de um plano coordenado estreitamente entre as tropas rebeldes, a Otan e os residentes anti-Kahdafi dentro de Trípoli, afirmam os líderes dos rebeldes.

Grupos de combatentes rebeldes vindos da parte oeste percorreram 30 quilômetros em uma questão de horas no domingo, conquistando cidade por cidade e ocupando uma importante base militar quando residentes saíram em massa para lhes saudar. Ao mesmo tempo, moradores de Trípoli se insurgiram após terem sido armados secretamente por rebeldes. 

Nas primeiras horas da segunda-feira, combatentes rebeldes controlavam a maior parte da capital. A ocupação da Praça Verde teve um forte valor simbólico - a praça foi cenário de diversas manifestações pró-Kahdafi organizadas pelo regime praticamente todas as noites e Gaddafi fez discursos aos seus partidário do Castelo Vermelho que dá vista à praça.

O promotor no Tribunal Penal Internacional em Haia, Holanda, solicitou a extradição do filho mais novo de Gaddafi, Saif al-Islam, para a corte, onde será julgado por crimes contra a humanidade. O mandato de prisão contra Saif, bem como contra seu pai, foi emitido pelo tribunal em junho.

O filho mais velho, Mohammed al-Gaddafi, se rendeu às forças rebeldes, declarou Adel Dabbechi, coordenador do Conselho Nacional de Transição à agência Reuters.

Três opções 

Questionado sobre o que irá acontecer agora, o jornalista Gsteiger explicou que Khadafi têm "praticamente três opções".

"Em primeiro, ele poderia escapar para o exílio. Os rebeldes acabam de confirmar que eles ofereceram salvo-conduto para ele e sua família abandonarem o país", disse.

"Ele também poderia lutar até o último momento e morrer como um mártir - como já havia declarado previamente que iria fazer. Na terceira opção ele poderia ser capturado e julgado por crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional."

Gsteiger não pensa que os rebeldes estariam em uma posição, seja do ponto de vista militar ou de organização, de reconstruir a infraestrutura do país rapidamente.

"Não se pode esquecer que o atual sucesso não se deve à superioridade de estratégia ou organização dos rebeldes, mas muito mais do colapso do regime de Gaddafi e das suas forças armadas. E a Otan contribuiu de forma significativa para isso", declarou. "As chances eram reduzidas de que condições estáveis ou democráticas pudessem ser vistas na Líbia no futuro próximo."

"Por outro lado, a comunidade internacional - Nações Unidas, União Europeia, Otan - estão agora obrigadas a apoiar os rebeldes do ponto de vista organizacional e financeiro, mas, sobretudo com conselhos. Os líderes da oposição dependem realmente disso."

Reação na Suíça

A presidente suíça e ministra das Relações  Exteriores, Micheline Calmy-Rey disse nesta segunda-feira que se alegra com a perspectiva do fim do conflito na Líbia. Disse ainda que que essa é um perspectiva a saudar, se o povo líbio tiver mais liberdade e democracia.

Ela acrescentou que a Suíça enviará o mais rápido possível um embaixador a Tripoli. A presidente fez essas declarações em margem da reunião anual dos embaixadores suíços em Lucerna (centro).

 Ela explicou que Berna não reconheceu o governo dos rebeldes, o Conselho Nacional de Transição, porque a Suíça reconhece somente Estados e não governos. Contudo, lembrou que a Suíça criou um escritório de ligação em Benghazi, base da insurreição líbia.

A presidente sublinhou que Berna adota a política da ONU para a Líbia. Desde julho, a Suíça considera o Conselho Nacional de Transição como único interlocutor legítimo na Líbia.

As relações com o regime de Tripoli estavam perturbadas desde a prisão, em 2008, quando um filho do coronel Gaddafi e sua esposa foram presos em um hotel de Genebra, acusados de maus tratos com dois empregados do casal.

Depois disso, dois suíços que trabalhavam na Líbia foram retidos pelo regime líbio e liberados em 2010.

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