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Poluição denigre imagem de produtos espanhóis

Pescadores e voluntários lutam sózinhos contra a mancha negra.

(Keystone)

Não há risco de encontrar na Suíça produtos contaminados nas costas da Galícia, segundo a Câmara de Comércio Hispano-Suíça.

Mas a catástrofe ecológica provocada pelo petroleito "Prestige" ocorre quando se promovia a "Espanha verde" na Suíça.

A evolução da catástrofe ecológica provocada pelo naufrágio do petroleiro "Prestige", de bandeira liberiana, ao largo da costa galega, noroeste da Espanha, é acompanha com muita atenção na Suíça.

A imprensa suíça tem destacado a dimensão dos danos ambientais, as perdas econômicas em uma das maiores reservas de mariscos da Europa e pelo fato da empresa proprietária das mais de 70 mil toneladas de petróleo que "Prestige" transportava ser sediada no cantão Zoug, na Suíça.

"Em termos de intercâmbio comercial de alimentos entre a Suíça e a Espanha, a maré negra no litoral da Galícia, Cantábria e Astúrias não têm maior conseqüência" explica a swissinfo Rafael Pérez, presidente da Câmara de Comércio Hispano-Suíça, em Zurique. "Pode-se descartar o risco de encontrar produtos contaminados provenientes do norte da Espanha no mercado mercado suíço", acrescenta.

Polvo e sépia no mercado suíço

As exportações espanholas para a Suíça totalizam 1 bilhão de francos suíços (cerca de 700 milhões de dólares) e a Suíça exporta o dobro para a Espanha.

Entre as importações suíças da Espanha, o setor agrícola (principalmente cítricos) é o 4° ítem e os produtos marítimos são muito poucos. O mexilhão, produto típico da costa galega, representa apenas 5% das importações do molusco na Suíça, que o compra principalmente da França e da Dinamarca.

Os frutos do mar não são muito presentes na gastronomia suíça mas, mesmo contando os muitos restaurantes espanhóis, importa-se da Espanha 30% do polvo e 20% da sépia consumidos na Suíça.

Rafael Pérez considera que o desastre do "Prestígio" é uma catástrofe sem precedentes nessa região da Espanha para o meio ambiente, para 6 mil pescadores, mil produtores de mariscos e mais de 100 mil pessoas que perderam seu meio de subsistência.

Na opinião dele, "a maré negra pode deteriorar também a imagem dos produtos espanhóis, justamente quando a Câmara de Comércio trabalha na promoção no mercado suíço da "Espanha verde", menos turística, mas com uma grande tradição gastronômica".

"Espanha verde" é prejudicada

Pérez também é presidente da seção suíça do "Slow Food", movimento internacional para promover a comida de qualidade, sadia e de produção ecológica.

Por isso reclama controle das autoridades políticas, porque não é possível continuar produzindo sempre mais e fretar transportes baratos sem que alguém finalmente pague a conta.

"Já existem problemas para manter a biodiversidade e conseguir comida de qualidade produzida ecológicamente para que uns irresponsáveis fretem barcos inadeqüados e estropeiem o trabalho e a tradição dos produtos do mar", afirma Pérez.

O presidente da Câmara de Comércio Hispano-Suíça lembra que, com a crise da carne provocada pela doença da vaca louca, da dioxina no frango e outros problemas na alimentação, o mar oferecia outras opções. Ele conclui que "esta catástrofe no litoral da Galícia vai provocar um freio na demanda que se orientava para um maior consumo de produtos do mar".

swissinfo/Jaime Ortega

Breves

- 5% do mexilhão importado na Suíça vêm da Espanha. França e Dinamarca são os maiores fornecedores

- 30% do polvo e 20% da sépia são importados da Espanha

- "Prestige" afundou dia 19 de novembro a 270 kms do litoral galego e petróleo continua vazando

- União Européia divulgou lista de 66 navios "perigosos"

- Poluição pode chegar a França e Portugal

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