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Preço recorde do café canéfora estimula novas áreas no Brasil, renovações e investimentos

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Por Roberto Samora

SÃO PAULO (Reuters) – Os preços recordes do café canéfora incentivam produtores no Brasil a ampliar a área plantada e a realizar investimentos em renovações de cafezais mais antigos por novos mais produtivos e outras melhorias, como irrigação, disseram à Reuters pessoas ligadas ao setor produtivo.

Com efeito, a produção de mudas de pés de café da espécie canéfora, que engloba grãos das variedades robusta e conilon, não está dando conta da demanda nos importantes produtores Rondônia e Espírito Santo, além de outros Estados.

O Brasil, maior produtor de café, considerando as duas espécies arábica e canéfora, fica em segundo, atrás do Vietnã, se o assunto é apenas o canéfora. Mas brasileiros têm aproveitado a menor oferta do país asiático para ganhar mercados na exportação, o que estimula um aumento de produção local.

O mercado de canéforas também está mais apertado diante da forte demanda. Em meio a uma melhoria na qualidade, os grãos antes destinados à indústria de café solúvel vêm sendo mais utilizados para produção de espressos e como “blend” no arábica do produto torrado e moído, segundo especialistas.

“Já faz algum tempo que o pessoal vem plantando bastante café canéfora, mas agora com essa alta dos preços virou uma loucura. Agora mesmo estive no Acre e conversei com viveiristas lá, que disseram que estão na sua capacidade máxima de produção de mudas”, afirmou pesquisador da Embrapa Rondônia Enrique Alves, à Reuters.

“As pessoas que querem mudas para o ano que vem estão encomendando agora… Nas conversas com viveiristas, alguns falam que não estão aceitando mais encomendas. Os bons preços sempre incentivam a produção”, acrescentou ele.

Alves revelou ainda que a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) tem recebido “muita demanda” de estacas (usadas no processo de produção de mudas) para testes em outros Estados, como Minas Gerais e São Paulo, que são os maiores produtores de café arábica, espécie que responde por cerca 70% da produção do país.

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