Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

BUENOS AIRES (Reuters) - A Argentina pressionará um juiz dos Estados Unidos a permitir o pagamento dos juros da dívida reestruturada do país, como condição para negociar com os credores que estão processando o país em busca do pagamento total, disse nesta quarta-feira uma autoridade argentina.

A terceira maior economia da América Latina foi empurrada à beira de um novo calote por uma série de decisões de tribunais dos Estados Unidos. As decisões forçaram o país a negociar com investidores que não aceitaram participar das restruturações da dívida após a crise de 2002.

Mais de 92 por cento dos credores do país aceitaram receber menos de 30 centavos para cada dólar nas restruturações realizadas em 2005 e 2010.

Os demais credores, conhecidos como 'holdouts', recusaram os termos da renegociação e reivindicam o recebimento de 100 por cento do principal da dívida, mas dizem que estão dispostos a negociar.

O governo argentino enviará uma equipe a Nova York na semana que vem para determinar as condições de negociação por meio de um mediador selecionado pelos tribunais.

"Essas condições naturalmente vão incluir nosso objetivo de respeitar a reestruturação de 92,4 por cento de nossa dívida e gerar condições justas para todos os credores", afirmou o ministro da Casa Civil, Jorge Capitanich, em entrevista coletiva. "Vamos à reunião com esse objetivo", acrescentou.

A Argentina tentou fazer um pagamento de juros da dívida reestruturada na segunda-feira, mas o desembolso foi bloqueado pelo juiz Thomas Griesa, em Nova York, que disse que o governo precisa chegar a um acordo com os holdouts antes que novos pagamentos dos títulos reestruturados possam ser realizados.

O pagamento ficou no limbo depois de os recursos serem depositados no Bank of New York Mellon, mas não transferidos para os credores.

O juiz Griesa quer que os 539 milhões de dólares retornem à Argentina, mas o governo se recusa a aceitar o dinheiro, dizendo o seguinte em comunicado: "O Bank of New York continua a violar suas obrigações ao não permitir que todos os credores recebam o pagamento."

O país tem até o fim do mês para chegar a um acordo, sob risco de ter que enfrentar mais uma crise da dívida soberana em 12 anos.

Um novo calote poderia exaurir as já pequenas reservas internacionais do Banco Central e prolongaria o afastamento da Argentina dos mercados globais de bônus, privando o país do investimento estrangeiro necessário para desenvolver sua indústria de petróleo não-convencional e melhorar a qualidade das estradas que causam dificuldades às exportações de grãos.

Capitanich disse que a Argentina irá enfatizar a necessidade de respeitar as duas reestruturações, como base para um acordo com os holdouts, frequentemente denominados pelo governo como "fundos abutres" circulando os restos da crise da dívida que afetou o país em 2002 e empurrou milhões de argentinos de classe média para a pobreza.

Os credores que não aceitaram a reestruturação, liderados por Elliott Management Corp e Aurelius Capital Management, buscam receber 1,330 bilhão de dólares mais os juros acumulados.

O ministro da Economia argentino, Axel Kicillof, irá à Organização dos Estados Americanos (OEA) na quinta-feira para buscar apoio internacional, num momento em que argentinos e os holdouts se acusam mutuamente de falta de vontade para abrir uma negociação de boa fé.

"Estamos prontos para uma reunião com o ministro Kicillof durante sua visita a Washington, e para negociar sem condições prévias", disse Elliott em um comunicado.

(Reportagem de Hugh Bronstein)

Neuer Inhalt

Horizontal Line


swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.










Reuters