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Por Noah Browning

JERUSALÉM (Reuters) - O corpo de um jovem palestino sequestrado foi encontrado em Jerusalém nesta quarta-feira, despertando suspeitas de que tenha sido morto por israelenses para vingar a morte de três adolescentes judeus também sequestrados.

As notícias sobre a descoberta do corpo de Mohammed Abu Khudair, de 16 anos, visto pela última vez sendo empurrado para dentro de um veículo na manhã desta quarta-feira, desencadearam conflitos entre palestinos que atiravam pedras e policiais israelenses na cidade.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, acusou colonos judeus de matarem Abu Khudair e exigiu que Israel “aplique a punição mais severa contra os assassinos se realmente quiser a paz”.

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, exortou a polícia a “investigar rapidamente quem está por trás do assassinato detestável e sem motivo”. Ele pediu a todas as partes que “não façam justiça com as próprias mãos”.

A polícia declarou ter encontrado um corpo nos arredores arborizados de Jerusalém. O pai de Abu Khudair disse à Reuters que a corporação o informou que o cadáver era de seu filho.

Uma fonte de segurança de Israel disse que seu país suspeita que o jovem tenha sido raptado em retaliação ao assassinato dos adolescentes judeus. Seus corpos foram encontrados na segunda-feira, quase três semanas depois de serem sequestrados na Cisjordânia.

Israel afirma que militantes do Hamas mataram os jovens, e o grupo palestino nem confirmou nem negou a alegação.

A Casa Branca criticou o assassinato de Abu Khudair e conclamou Israel e a Autoridade Palestina a “adotar todas as medidas necessárias para evitar um clima de vingança".

Netanyahu convocou seu gabinete de segurança no fim desta quarta-feira, enquanto a violência também se alastrava pela fronteira entre Israel e a Faixa de Gaza. Palestinos dispararam pelo menos uma dezena de foguetes e morteiros, e os militares israelenses realizaram um ataque aéreo.

O sequestro de Abu Khudair aconteceu um dia depois que os estudantes Gil-Ad Shaer, Naftali Fraenkel e Eyal Yifrah foram enterrados. O funeral foi acompanhado por dezenas de milhares de pessoas.

Enquanto os adolescentes eram enterrados, várias centenas de manifestantes bloquearam a entrada principal de Jerusalém, alguns aos gritos de “Morte aos árabes”.

Mas ataques mortais de vigilantes israelenses em retaliação explícita a agressões de palestinos têm sido raros nos últimos anos.

(Reportagem adicional de Ammar Awad, Ori Lewis, Maayan Lubell e Allyn Fisher-Ilan, em Jerusalém; de Nidal al-Mughrabi, em Gaza; e de Ali Sawafta, em Ramallah)

Reuters