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Palestinos coletam partes de corpos em uma sala de aula de uma escola atingida por ataques terrestres de Israel, em Jebalya, na Faixa de Gaza. 30/07/2014. REUTERS/Mohammed Salem

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Por Nidal al-Mughrabi e Jeffrey Heller

GAZA/JERUSALÉM (Reuters) - Ataques de artilharia de Israel mataram pelo menos 15 palestinos que se abrigavam em uma escola no maior campo de refugiados de Gaza, nesta quarta-feira, disse o Ministério da Saúde local, em um momento no qual mediadores egípcios preparavam uma resposta revisada para tentar parar mais de três semanas de combates.

Cerca de 3.300 palestinos, incluindo muitas mulheres e crianças, estavam se refugiando no prédio no campo de refugiados de Jabalya quando o edifício foi atacado, disse a Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina no Oriente Médio (Unrwa).

“Nossa avaliação inicial é de que foi artilharia de Israel que atingiu nossa escola”, disse o chefe da Unrwa, Pierre Krahenbuhl, em um comunicado, após representante da agência terem visitado o local e examinado fragmentos, crateras e outros danos.

O sangue estava espalhado pelo chão e por colchões dentro de salas de aula na escola, e os sobreviventes se arriscavam em meio a entulhos e estilhaços de vidro para recolher os restos mortais e enterrar seus mortos.

“Eu peço à comunidade internacional que adote uma ação política internacional para encerrar imediatamente a continuidade da carnificina”, disse Krahenbuhl.

O Ministério da Saúde de Gaza disse que houve 15 mortos no incidente, mas a Unrwa informou que 19 pessoas foram mortas. Krahenbuhl, no entanto, ressaltou que ainda era prematuro dar um total oficial de mortos neste momento.

“Mas sabemos que houve múltiplas mortes de civis e feridos, incluindo mulheres e crianças e da guarda de Unrwa, que estava tentando proteger o local”, disse Krahenbuhl.

Uma porta-voz de Israel afirmou que militantes haviam disparado morteiros das cercanias da escola, e tropas israelenses revidaram. O incidente ainda está sendo reavaliado, disse ela.

O Exército disse que manteria um cessar-fogo unilateral durante quatro horas nesta quarta-feira em algumas áreas da Faixa de Gaza onde soldados não estariam operando, como uma “janela humanitária temporária”. A trégua não se aplicaria a locais onde os militares israelenses estavam operando. Não ficou claro se Jabaliya estaria incluída nas áreas sob o cessar-fogo temporário.

Desde terça-feira Israel tem bombardeado Jabalya, onde vivem cerca de 120 mil pessoas, em ações que, segundo o porta-voz militar israelense, o general-brigadeiro Motti Almoz, são uma pequena ampliação de sua campanha contra militantes do Hamas que controlam a Faixa de Gaza.

A Unrwa Informou na terça-feira ter encontrado um depósito de foguetes escondido em outra escola de Gaza - a terceira descoberta do tipo desde que o conflito começou. A agência condenou grupos que colocam civis em risco, embora não os tenha nomeado.

Tanques israelenses também atacaram o principal mercado de Jabalya nesta quarta-feira, matando pelo menos três pessoas e ferindo 40 outras, disse o ministério. Sete membros de uma mesma família morreram em um ataque israelense em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza.

O ministério em Gaza disse que 1.287 palestinos, a maioria deles civis, foram mortos desde que Israel começou sua ofensiva em 8 de julho, com o objetivo declarado de acabar com foguetes disparados por militantes islâmicos.

Do lado Israelense, 53 soldados e três civis foram mortos.

O primeiro-ministro Israelense, Benjamin Netanyahu, iria avaliar os avanços com seu gabinete de segurança mais tarde nesta quarta-feira, ao mesmo tempo que uma delegação palestina chegava ao Cairo para discussões sobre uma trégua.

O Egito disse nesta terça-feira estar revisando uma proposta de cessar-fogo incondicional que Israel havia originalmente aceitado, mas o Hamas, recusado, e acrescentou que uma nova oferta seria apresentada para os representantes palestinos.

(Reportagem adicional de Ari Rabinovitch em Jerusalém e Alexandra Hudson em Berlim)

Reuters