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BUENOS AIRES (Reuters) - Os principais candidatos presidenciais da Argentina consideram imprescindível fechar um acordo para evitar que o país dê um calote, mas preferem não criticar a estratégia do governo contra os "fundos abutres" porque seria um suicídio político.

Os três principais postulantes à eleição do ano que vem se mostraram mais amistosos com o mercado do que a presidente argentina, Cristina Kirchner, que qualificou de "abutres" os fundos de cobertura que cobram a Argentina porque tentam quebrar o país para obter grandes lucros.

Muitos eleitores compartilham a visão da mandatária sobre os fundos, que compraram dívidas argentinas em default a preços baixos e a mantiveram em suas carteiras esperando obter prazos melhores do que aqueles que o país ofereceu em duas reestruturações da dívida que descumpriu em 2002.

Os fundos de cobertura obtiveram a seu favor várias sentenças judiciais nos Estados Unidos para recuperar o valor total dos bônus em caso de não pagamento.

O governo está conduzindo uma campanha publicitária contra os "fundos abutres" que incluiu peças publicitárias de tom nacionalista transmitidas durante os jogos da Argentina na Copa do Mundo. Cartazes nas ruas pregados por aliados de Cristina conclamam a população a se manifestar contra os "abutres".

De todo modo, Cristina foi forçada a iniciar negociações em Nova York nesta semana. Se não houver acordo até 30 de julho, a Argentina poderia voltar a dar seu segundo calote em 12 anos.

O governador da província de Buenos Aires, Daniel Scioli, o prefeito da capital argentina, Mauricio Macri, e o deputado nacional Sergio Massa são os principais candidatos no momento às eleições de outubro de 2015.

Os três postulantes são a favor da negociação de um acordo com os fundos de cobertura para recuperar a confiança dos investidores internacionais e que o país receba os fundos que necessita para desenvolver suas enormes reservas de hidrocarbonetos não-convencionais e reforçar as reduzidas reservas do Banco Central.

Mas nenhum revelou como levaria adiante as negociações e o que fariam se estivessem no poder.

"Há uma porta aberta à negociação. Estou convencido de que vai dar tudo certo", disse recentemente Scioli, tentando não se chocar com Cristina, que lidera o Partido Justicialista ao qual também pertence.

Os candidatos e seus assessores têm tido o cuidado de não parecer do lado dos "fundos abutres". Embora os argentinos queiram um acordo que evite um calote e muitos se oponham à política econômica de Cristina, não existe apoio aos fundos de cobertura.

(Reportagem de Hugh Bronstein)

Reuters