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Fumaça é vista durante ofensiva israelense em Gaza nesta quarta-feira. REUTERS/Ahmed Zakot

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Por Nidal al-Mughrabi e Crispian Balmer

GAZA/JERUSALÉM (Reuters) - Os combates na Faixa de Gaza se intensificaram nesta quarta-feira, deslocando outros milhares de palestinos no território assolado por uma ofensiva israelense, enquanto o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse que os esforços para garantir uma trégua entre Israel e o Hamas haviam avançado.

Em um golpe para a economia e a imagem de Israel, as autoridades de aviação dos Estados Unidos estenderam a proibição de voos para Tel Aviv pelo segundo dia consecutivo, assustadas com os disparos de foguetes da Faixa de Gaza. Muitas outras companhias aéreas globais também têm evitado o Estado judeu.

O líder do Hamas, Khaled Meshaal, falando no Catar, elogiou os combatentes do grupo que, segundo ele, conquistaram ganhos contra Israel e afirmou que apoiava uma trégua humanitária. Um cessar-fogo, no entanto, só seria aceitável em troca do alívio do sofrimento dos moradores de Gaza, disse.

Somando-se à pressão sobre Israel, a Alta Comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas, Navi Pillay, disse que havia "uma forte possibilidade" de que o país estava cometendo crimes de guerra em Gaza, onde 692 palestinos, a maioria civis, morreram nos combates.

Ela também condenou os disparos indiscriminados de foguetes de Gaza, e o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou uma resolução que inicia uma investigação internacional sobre as supostas violações.

Israel negou qualquer irregularidade. "Dê o fora", disse a ministra da Justiça, Tzipi Livni, em sua página no Facebook, em resposta à investigação.

Kerry se reuniu com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, com o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, nesta quarta-feira. Ele deve voltar ao Egito, que faz fronteira com Gaza e tem mediado a situação com o grupo islâmico Hamas.

"Nós certamente demos alguns passos adiante. Ainda há trabalho a ser feito", disse Kerry, em uma de suas visitas regionais mais intensas desde que as negociações de paz que havia intermediado entre Netanyahu e Abbas fracassaram em abril.

CRESCEM BAIXAS MILITARES

Israel anunciou que três dos seus soldados foram mortos por dispositivos explosivos nesta quarta-feira, elevando o número de mortos do Exército a 32. Três civis também morreram em ataques com foguetes de Gaza, incluindo um trabalhador tailandês atingido nesta quarta-feira.

O Exército afirmou que um dos seus soldados também está desaparecido e acredita que ele possa estar morto. O Hamas disse ter capturado o militar, mas ainda não divulgou uma foto dele.

Nuvens de fumaça negra pairavam sobre Gaza, cerca de 65 quilômetros ao sul do aeroporto de Ben Gurion, com o ruído regular de artilharia e disparos de tanques, fazendo com que milhares de civis tentassem fugir da cidade de Beit Hanoun, no norte da Faixa de Gaza.

"Isso não é uma guerra, é aniquilação", disse Hamed Ayman, de 17 anos. "Sonhava em ser médico. Hoje estou sem casa. Eles deveriam estar atentos para o que eu poderia me tornar."

Médicos palestinos disseram que dois fiéis morreram e 30 ficaram feridos em um ataque contra uma mesquita, no coração do bairro densamente povoado de Zeitoun, no leste da Cidade de Gaza.

Um manifestante palestino morreu depois de um confronto com as forças israelenses na Cisjordânia.

E nas aldeias de Abassan e Khuzaa, no sul, os moradores disseram que estavam cercados por atiradores israelenses que feriram dois palestinos que tentavam sair do esconderijo com bandeiras brancas na mão.

O Exército israelense também tomou o hospital de Wafa, no leste de Gaza, dizendo que a instalação estava sendo usada para abrigar combatentes do Hamas, uma acusação comum entre os militares. Os pacientes foram removidos depois de receberem avisos da operação.

(Reportagem adicional de Arshad Mohammed, Maayan Lubell e Ori Lewis, em Jerusalém; de Noah Browning e Nidal al-Mughrabi, em Gaza; de Nidal al Ali Sawafta, em Ramallah; de Amena Bakr, em Doha; e de Stephanie Nebehay, em Genebra)

Reuters