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Veículos funerários com os restos mortais de algumas das vítimas da queda de um avião da Malaysia Airlines deixam o aeroporto de Eindhoven em direção à base militar de Hilversum, na Holanda, nesta quarta-feira. 23/07/2014 REUTERS/François Lenoir

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Por Harro Ten Wolde e Thomas Escritt

EINDHOVEN, Holanda (Reuters) - Os corpos das primeiras vítimas do avião da Malaysia Airlines derrubado sobre a Ucrânia na semana passada chegaram nesta quarta-feira a uma base militar na Holanda, uma nação tomada pelo choque e pela dor.

Sinos badalaram e bandeiras foram hasteadas a meio mastro em homenagem às 298 pessoas mortas quando o avião que operava o voo MH17 caiu em uma área do leste ucraniano controlada por separatistas apoiados pela Rússia, no primeiro dia nacional de luto desde que a rainha Wilhelmina morreu em 1962.

O rei Willem-Alexander e o primeiro-ministro, Mark Rutte, uniram-se a dignitários na pista, enquanto duas aeronaves militares com 40 caixões de madeira sem adornos pousaram em Eindhoven, no sul holandês.

Uma guarda militar de honra bateu continência enquanto um trompetista tocava ‘The Last Post’, a marcha fúnebre para os mortos em combate.

Depois de um minuto de silêncio, observado em estações, fábricas, escritórios e ruas por toda a nação ainda atordoada, militares levaram os caixões a 40 carros funerários enfileirados na pista.

Familiares de algumas das vítimas estavam presentes no aeroporto, mas foram mantidos longe da atenção da mídia, informaram autoridades.

Milhares de pessoas se reuniram ao longo do trajeto de 100 quilômetros, observando o cortejo de Eindhoven à base militar de Hilversum, onde os corpos permanecerão até poderem ser identificados, uma tarefa que pode levar meses.

Durante a passagem dos carros fúnebres, motoristas pararam espontaneamente e observaram em silêncio do acostamento. Alguns aplaudiram, outros atiraram flores em direção aos veículos.

O processo será repetido muitas vezes nos próximos dias à medida que os corpos forem voltando para casa.

Em meio às acusações dos Estados Unidos de que os rebeldes ucranianos abateram o avião de passageiros por engano com um míssil fornecido pelos russos, uma pesquisa de opinião mostrou que a maioria esmagadora dos holandeses deseja a imposição de sanções a Moscou, mesmo se isso prejudicar sua própria economia.

IDENTIFICAÇÃO

Os restos mortais de um número desconhecido de vítimas foram transportados da Ucrânia na terça-feira em vagões refrigerados. O premiê Rutte afirmou que, embora alguns cadáveres possam ser identificados de imediato, pode levar semanas ou mesmo meses para se completar o trabalho.

Como 193 dos mortos são holandeses, o ministro das Relações Exteriores, Frans Timmermans, disse que quase todas as famílias do país de 15 milhões de pessoas conheciam alguém que morreu ou um parente seu.

As autoridades holandesas estão liderando a investigação, com grande ajuda de outros países. As caixas-pretas do avião, entregues pelo líder dos rebeldes, foram levadas da Ucrânia para a Grã-Bretanha, onde uma equipe de especialistas examinou os gravadores nesta quarta-feira, não encontrando sinais de que foram violados.

Na terça-feira, Rutte disse que o desastre alterou fundamentalmente a maneira como os holandeses veem a Rússia, exortando a União Europeia a se unir em uma abordagem firme para forçar Moscou a cooperar com a investigação.

(Reportagem adicional de Lucien Libert)

Reuters