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Por Mirwais Harooni e Mohammad Aziz

CABUL (Reuters) - Os Estados Unidos advertiram nesta terça-feira que vão retirar o apoio financeiro e na área de segurança ao Afeganistão se houver qualquer tentativa de tomada de poder de forma ilegal, enquanto uma manifestação em apoio a um candidato presidencial em Cabul pedia um governo paralelo.

Os resultados preliminares anunciados na segunda-feira mostram que Ashraf Ghani, um ex-funcionário do Banco Mundial, venceu o segundo turno da eleição, em 14 de junho, mas seu rival Abdullah Abdullah rejeitou imediatamente o resultado, dizendo que a votação foi marcada por fraudes generalizadas.

Ressaltando a magnitude da crise, Abdullah disse que o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, irá visitar Cabul na sexta-feira. Kerry chegou a Pequim na terça-feira para o anual Diálogo Estratégico e Econômico. Os encontros entre Estados Unidos e China terminam na quinta-feira.

Milhares de simpatizantes de Abdullah se reuniram na capital nesta terça-feira, exigindo que seu líder forme um gabinete paralelo e um governo unilateral - uma jogada perigosa que pode dividir ainda mais o instável país.

Em uma severa advertência, o secretário de Estado norte-americano, John Kerry, disse que não havia justificativa para a violência ou "medidas extraconstitucionais".

"Tenho acompanhado com grande preocupação as informações sobre protestos no Afeganistão e sugestões de um 'governo paralelo'", disse ele em um comunicado divulgado pela embaixada dos Estados Unidos em Cabul.

"Qualquer ação para tomar o poder de forma ilegal vai custar ao Afeganistão o apoio financeiro e na área de segurança dos Estados Unidos e da comunidade internacional."

O Afeganistão é fortemente dependente de doadores estrangeiros para financiar tudo, desde a construção de estradas ao pagamento de professores e segurança. Os Estados Unidos fornecem a maior parte de toda a ajuda internacional.

Observadores temem que um impasse entre Abdullah e Ghani mergulhe o Afeganistão em desordem, sem um líder claro em um país já assolado por divisões étnicas profundamente enraizadas.

Abdullah acusou o presidente Hamid Karzai, que está deixando o cargo após 12 anos no poder, de ter ajudado a fraudar a votação em favor de Ghani, descrevendo a ação como um "golpe" contra o povo.

O impasse sobre a votação acabou com as esperanças de uma transição tranquila do poder no Afeganistão, uma preocupação para o Ocidente, já que a maioria das forças lideradas pelos Estados Unidos Vão ser retiradas do país neste ano.

Reuters