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Presidente dos EUA, Barack Obama, em pronunciamento na Casa Branca. 18/07/2014 REUTERS/Larry Downing

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Por Anton Zverev

HRABOVE Ucrânia (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, exigiu que a Rússia pare de apoiar separatistas no leste da Ucrânia depois que um avião foi abatido por um míssil terra-ar que ele disse ter sido disparado de território rebelde, e que aumenta a possibilidade de mais sanções contra Moscou.

Pelo menos um norte-americano estava entre os quase 300 mortos na queda do avião, afirmou Obama, uma revelação que aumenta a tensão após o incidente que deteriorou ainda mais as relações entre a Rússia e o Ocidente.

Classificando o ocorrido de “uma atrocidade de proporções indescritíveis”, Obama não chegou a culpar os russos diretamente, mas alertou estar preparado para intensificar as sanções econômicas. Ele ecoou os clamores internacionais por uma investigação rápida e crível, descartando uma intervenção militar norte-americana.

Mas, sublinhando o impacto global do fato, com vítimas de 11 países e quatro continentes, o presidente dos EUA afirmou que os riscos aumentaram para a Europa, uma maneira clara de conclamar os europeus a seguir o exemplo das sanções mais robustas impostas por Washington aos russos.

A Rússia, que Obama disse estar permitindo que os rebeldes se armem, expressou revolta com as implicações de sua culpa, declarando que as pessoas não devem prejulgar o resultado de um inquérito.

Não houve sobreviventes do voo MH17 da Malaysia Airlines que seguia de Amsterdã a Kuala Lumpur. A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que 80 das 298 pessoas a bordo eram crianças.

O maior ataque da história contra um avião comercial espalhou corpos ao longo de quilômetros de território dominado pelos rebeldes perto da fronteira com a Rússia.

Bandeiras brancas improvisadas marcaram os locais onde os cadáveres foram encontrados em meio aos destroços e em plantações de milho. Outros, desnudados pela força do impacto, foram cobertos com polietileno.

A escala do desastre pode ser um divisor de águas na pressão internacional para resolver a crise ucraniana, que já matou centenas.

“Este evento ultrajante ressalta ser hora de restaurar a paz e a segurança na Ucrânia", afirmou Obama, acrescentando que a Rússia não foi capaz de usar sua influência para deter a violência separatista,

O Conselho de Segurança da ONU pediu uma “investigação internacional completa, detalhada e independente” sobre a derrubada do avião e “que se responsabilize apropriadamente” os responsáveis.

Kiev e Moscou se acusaram imediatamente pelo desastre, desencadeando uma nova fase em sua guerra de propaganda.

O avião caiu a cerca de 40 quilômetros da fronteira russa, perto da capital regional de Donetsk, área que se tornou um bastião dos rebeldes que vêm combatendo forças do governo ucraniano e que abateram aeronaves militares recentemente.

Líderes da auto-proclamada República do Povo de Donetsk negaram qualquer envolvimento no ataque e disseram que um jato da força aérea ucraniana abateu o voo intercontinental.

(Reportagem adicional de Natalya Zinets, Pavel Polityuk, Peter Graff e Elizabeth Piper em Kiev, Tim Heritage, Vladimir Soldatkin, Polina Devitt, Thomas Grove e Gabriela Baczynska em Moscou, Thomas Escritt em Amsterdã, Anuradha Raghu, Siva Govindasamy eTrinna Leong em Kuala Lumpur, Jane Wardell e Matt Siegel em Sydney e Phil Stewart, Warren Strobel, Jeff Mason, Steve Holland e Matt Spetalnick em Washington)

Reuters