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ROMA (Reuters) - O papa Francisco pediu neste sábado que a natureza seja protegida de atos criminosos durante visita à cidade de Caserta, no sul da Itália e perto de Nápoles, região há muito prejudicada por despejos ilegais de lixo tóxico e pela penetração da organização mafiosa conhecida como Camorra.

Durante uma missa ao ar livre diante de 200 mil pessoas, Francisco disse que o amor de Deus significa respeito à vida, ao meio ambiente e à natureza.

"Sei que vocês sofrem com estas coisas", declarou ele de improviso diante de Reggia di Caserta, o antigo palácio dos reis Bourbon de Nápoles.

"É particularmente importante nesta linda região de vocês, que precisa ser protegida e conservada, que nos exige ter coragem de dizer não a toda e qualquer forma de corrupção e ilegalidade", afirmou ele sob aplausos da multidão.

"Todos nós sabemos o nome destas formas de corrupção e ilegalidade".

Embora menos explícito que em seu ataque contundente à máfia em visita a Calábria no mês passado, quando disse que todos aqueles que seguem o "caminho do mal" da máfia estão "excomungados", o local do pronunciamento do pontífice não deixou dúvidas quanto aos destinatários.

Atualmente assolada pelo crime, a corrupção e o desemprego cronicamente alto, a região ao redor de Nápoles deveria ser uma das mais férteis da Itália devido ao rico solo vulcânico do Monte Vesúvio.

Ao invés disso, ela tornou-se famosa pela "terra dei fuochi", ou "terra do fogo", poluída há décadas pelo despejo descontrolado e as queimadas de lixo tóxico, aos quais se atribuem os níveis incomumente altos de câncer e outras doenças.

A própria Caserta se localiza nos arredores do assim chamado "Triângulo da Morte", onde as taxas de mortalidade estão em seu nível mais elevado, mas é considerada um dos bastiões da Camorra, que está por trás da maior parte dos despejos ilegais.

"Esta região magnífica foi especialmente prejudicada pelos muitos depósitos de lixo de outras partes da Itália e da Europa, que causam tanta morte e desgosto", declarou o bispo de Caserta, Giovanni D'Alise, durante a missa.

Reuters