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Premiê ucraniano, Arseny Yatseniuk, faz pronunciamento em Kiev. 31/07/2014 REUTERS/Andrew Kravchenko/Pool

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Por Pavel Polityuk e Natalia Zinets

KIEV (Reuters) - O Parlamento da Ucrânia rejeitou a demissão do primeiro-ministro Arseny Yatseniuk, nesta quinta-feira, e finalmente aprovou a legislação que ele disse ser necessária para financiar uma ofensiva do Exército contra os separatistas do leste e evitar um calote nas contas do país.

O presidente ucraniano, Petro Poroshenko, afirmou que a nova votação no Parlamento irá ajudar Kiev em sua luta contra os separatistas.

“Precisamos de consolidação, não confrontação”, disse Poroshenko. “Temos que estar unidos contra a agressão externa”.

O apoio do Parlamento era necessário para alterar o Orçamento de 2014 de forma a levar em conta as receitas em queda e liberar 758 milhões de dólares adicionais para financiar os militares.

Yatseniuk havia dito que o governo não honraria os pagamentos da dívida e não teria acesso à liberação de fundos extras de um resgate de 17 bilhões de dólares do Fundo Monetário Internacional (FMI) se não conseguisse a aprovação da legislação.

A reviravolta dos parlamentares a propósito das leis que se recusaram a apoiar uma semana atrás é um alívio para os apoiadores ocidentais de Kiev, que temiam que a Ucrânia se afundasse ainda mais no caos político e pudesse voltar atrás em um resgate financeiro.

“Há duas notícias hoje. A primeira é que a Argentina deu um calote, e a segunda é que a Ucrânia não deu um calote e nunca dará”, declarou Yatseniuk à câmara, deixando claro que fica no cargo.

BUSCA DE CORPOS

A batalha política transcorreu tendo como pano de fundo uma campanha militar para reconquistar partes da região de Donbass, que faz fronteira com a Rússia, dos rebeldes pró-Moscou.

Tendo recapturado o bastião rebelde de Slaviansk no começo de julho, as forças do governo agora se aproximam das cidades de Donetsk e Luhansk - a última está praticamente cercada e sem suprimentos de energia e alimentos.

Os dois lados interromperam os combates o bastante para possibilitar a chegada de um grupo inicial de especialistas internacionais, depois de vários dias de tentativas, ao local onde um avião malaio caiu, no território sob posse dos separatistas, em 17 de julho, matando as 298 pessoas a bordo.

Os especialistas esperam que uma equipe maior de investigadores também tenha acesso à localidade para recuperar os restos mortais das últimas vítimas desaparecidas e buscar provas que mostrem o que derrubou o avião.

“Faz quase uma semana que estivemos no local e não notamos muitas mudanças. Os especialistas disseram que detectaram restos mortais lá”, afirmou Michael Bociurkiw, porta-voz de um time de observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE).

O grupo disse ainda que combates nos arredores do local da queda da aeronave recomeçaram logo depois que os investigadores saíram.

Líderes ocidentais acusam os rebeldes do leste ucraniano de abater o avião e impuseram sanções à Rússia, que por sua vez acusam de armar os separatistas, o que Moscou nega.

Kiev declarou que as duas partes concordaram em manter livre a rota usada nesta quinta-feira para chegar até o local da queda do avião.

(Reportagem adicional de Aleksandar Vasovic, em Donetsk)

Reuters