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MOSCOU (Reuters) - Falando às vésperas de uma viagem à América Latina, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse que o Brasil e outras potências emergentes precisam desempenhar um papel maior em temas globais, sugerindo que podem fazer mais para contrabalançar a influência dos Estados Unidos.

Em uma entrevista publicada na sexta-feira (horário local), Putin descreveu sua visita a Brasil, Cuba e Argentina como parte de um esforço para construir um mundo multipolar em um momento no qual se vê isolado por sanções relativas à crise na Ucrânia e suas relações com o Ocidente só não estão piores que na Guerra Fria.

A Rússia considera as fortes relações com o Brasil como "estrategicamente importantes" para se opor ao poderio ocidental, declarou. Na semana que vem, os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se reúnem em uma cúpula em Fortaleza e Brasília.

“Este país poderoso e de rápido desenvolvimento está destinado a desempenhar um papel importante na ordem mundial policêntrica emergente”, afirmou Putin à agência de notícias Itar-tass.

Ele afirmou que Moscou irá apoiar a aspiração brasileira por uma cadeira no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas, onde a Rússia é membro permanente e tem poder de veto.

O líder russo intensificou suas críticas ao que diz ser uma intromissão dos EUA em assuntos de outros países desde que as duas nações se desentenderam a respeito da anexação russa da Crimeia em março e do apoio político russo aos separatistas no leste ucraniano.

Em uma cutucada velada a Washington, Putin criticou a ciberespionagem, que criou tensões entre os norte-americanos e seus aliados europeus.

"Isso (a ciberespionagem) não somente equivale a uma hipocrisia evidente entre aliados e parceiros, mas também a uma violação direta da soberania de um Estado”, declarou.

Putin começa sua turnê latino-americana em Cuba na sexta-feira, depois viaja a Argentina e Brasil para ver a final da Copa do Mundo em 13 de julho no Rio de Janeiro e se reunir com os líderes dos Brics em Fortaleza em 15 e 16 de julho.

A Rússia será apresentada como sede do próximo Mundial de futebol, em 2018, na cerimônia de encerramento.

Os líderes dos Brics devem endossar os planos de um novo banco de desenvolvimento para rivalizar com o Banco Mundial, que terá sua sede na China e criará um fundo de reserva conjunto de moeda estrangeira.

A escolha de Havana como primeiro destino sinaliza o desejo de Moscou de ressuscitar os laços outrora calorosos da era soviética. Dois dias antes da chegada de Putin, a Câmara Alta do Parlamento russo aprovou um acordo do ano passado para cancelar 90 por cento dos 35,2 bilhões de dólares da dívida cubana em empréstimos concedidos pela União Soviética.

Putin disse que os 10 por cento remanescentes serão gastos em projetos de investimento conjuntos na ilha.

(Reportagem de Alissa de Carbonnel)

Reuters