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Monitor da OSCE em local de queda de avião da Malaysia Airlines no leste da Ucrânia. 18/07/2014 REUTERS/Maxim Zmeyev

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Por Michelle Nichols

NAÇÕES UNIDAS (Reuters) - A Rússia se pronunciou nesta sexta-feira contra quaisquer tentativas de prejulgar a investigação sobre o que derrubou o avião da Malásia no leste da Ucrânia com 298 pessoas a bordo, e levantou dúvidas sobre o papel das autoridades da aviação ucraniana.

Em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), que começou com um minuto de silêncio dos embaixadores, o representante russo na ONU, Vitaly Churkin, pediu uma “investigação imparcial e aberta sobre o que aconteceu” na quinta-feira.

Dos 298 a bordo do voo da Malaysia Airlines de Amsterdã a Kuala Lumpur, a ONU afirma que 80 eram crianças. Embaixadores da maioria dos 11 países que perderam cidadãos no incidente relataram ao conselho o choque e a descrença de seus Estados.

Churkin perguntou: "Por que o expedidor da aviação ucraniana enviou um avião de passageiros a uma área de conflitos militares? Uma área que estava sendo usada para a condução de ataques contra alvos civis... e onde havia sistemas antiaéreos funcionando?”

"A lei internacional prevê a possibilidade de um fechamento pontual, por parte do Estado, de áreas perigosas para voo. Parece haver necessidade não somente de uma investigação do desastre, mas de até que ponto as autoridades ucranianas levaram a cabo suas obrigações”, afirmou.

A Ucrânia e seus aliados ocidentais acusam Moscou de insuflar a revolta pró-Rússia que ameaça dividir a ex-república soviética de 46 milhões de pessoas.

A Rússia negou ter orquestrado o levante e diz que as tentativas ucranianas de encerrá-lo com o uso de força militar estão piorando a situação.

A embaixadora do Estados Unidos na ONU, Samantha Power, declarou ao Conselho de Segurança que o avião malaio “provavelmente foi abatido por um míssil terra-ar, um SA-11, operado de uma localidade em poder dos separatistas no leste da Ucrânia”.

Power disse ser improvável que os rebeldes pudessem ter utilizado o sistema de mísseis efetivamente sem ajuda de pessoal especializado.

“Por isso, não podemos descartar a assistência técnica de funcionários russos”, afirmou. “Os ucranianos de fato têm sistemas SA-1 ... entretanto, não temos ciência de qualquer sistema SAM ucraniano na área da queda”.

Churkin rejeitou qualquer pressão para realizar um inquérito “tentando prejulgar seu resultado com declarações abrangentes e insinuações injustificadas em uma situação tão difícil”.

Já o embaixador ucraniano na ONU, Yuriy Sergeyev, declarou ao conselho: “Esta tragédia não teria sido possível se a Rússia não apoiasse os terroristas e não fornecesse sistemas de mísseis antiaéreos sofisticados... para terroristas”.

“Este incidente horripilante deve, no mínimo, levar a um esforço sério e contínuo para encerrar os combates na Ucrânia”, disse um porta-voz do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

(Reportagem adicional de Mirjam Donath)

Reuters