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Por Sylvia Westall

BEIRUTE (Reuters) - O Líbano enfrenta a ameaça de colapso econômico e político à medida que o número de refugiados vindos da Síria deve exceder um terço da sua população, disse o ministro de Assuntos Sociais, Rashid Derbas, nesta quinta-feira.

Debars afirmou que o total de refugiados deverá chegar a 1,5 milhão até o fim do ano, um peso excessivo para um país com apenas 4 milhões de pessoas.

Ele disse que o fluxo de refugiados da guerra civil síria terá custado à já frágil economia do Líbano cerca de 7,5 bilhões de dólares entre 2012 e 2014. Comunidades fronteiriças que abrigam os exilados sírios estão sob especial pressão, por causa do aumento das pessoas dispostas a trabalhar por baixos salários.

“O desemprego dobrou, especialmente entre mão de obra não especializada e não qualificada em áreas principalmente pobres”, disse o ministro, alertando que a crise dos refugiados “ameaça nos levar para um colapso econômico, político e até mesmo de segurança”.

Os problemas do país vizinho não prejudicaram apenas a economia do Líbano, mas também agravaram tensões sectárias e aumentam a violência. O país atualmente abriga cerca de 1,1 milhão de refugiados sírios registrados.

“Sabemos que estamos trabalhando com o cenário de termos mais de 1,5 milhão de refugiados registrados até o fim de 2014, o que representa mais de um terço da população local”, disse Derbas em um encontro de ministros libaneses e grupos internacionais de ajuda.

De acordo com a Organização das Nações Unidas, o Líbano recebeu 38 por cento de todos os refugiados sírios na região, mais do que qualquer outro país.

“Temos os nossos limites e excedemos esses limites agora”, declarou Derbas.

Mais da metade dos sírios no Líbano é formada por crianças, e a ampla maioria delas não vai à escola. Mulheres sírias e crianças são frequentemente vistas pedindo esmolas nas ruas em partes da capital, Beirute, e embora alguns refugiados tenham alugado apartamentos, outros estão vivendo em abrigos em estacionamentos, garagens e prédios abandonados.

Os refugiados aumentaram a pressão sobre a infraestrutura em um país que sofre frequentemente com cortes de energia e não consegue abastecer toda sua população com água potável.

A ONU estima que o Líbano vá precisar de 1,6 bilhão de dólares em financiamento para lidar com a situação humanitária neste ano, mas até agora só 23 por cento desse montante foi levantado.

Refugiados sírios ainda são registrados ao ritmo de 100 mil por mês nos países vizinhos, embora o fluxo tenha reduzido nos últimos meses, disse a agência de refugiados da ONU, Acnur.

A nova estimativa é que haverá 3,6 milhões de refugiados sírios na região ao fim de 2014, ante 2,9 milhões dos registrados atualmente. Além do Líbano, os Sírios fugiram para Turquia, Jordânia e Iraque.

Reuters