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Secretário de Estado dos EUA, John Kerry, fala com jornalistas após reunião com o presidente palestino Mahmoud Abbas em Ramallah, na Cisjordânia. 23/07/2014. REUTERS/Charles Dharapak/Pool

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Por Nidal al-Mughrabi e Crispian Balmer

GAZA/JERUSALÉM (Reuters) - Forças israelenses continuaram seus ataques na Faixa de Gaza nesta quarta-feira, encontrando dura resistência de militantes do grupo islâmico Hamas e forçando a fuga de milhares de moradores. Ao mesmo tempo, o secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, dizia durante visita a Israel que as conversações por uma trégua haviam feito progresso.

Em um revés para a economia de Israel, e um golpe de relações públicas para o Hamas, empresas aéreas dos EUA e da Europa pararam de voar para o Estado judaico, citando preocupações sobre foguetes lançados por militantes de Gaza que atingiram uma casa perto do aeroporto Ben Gurion. Israel pediu a reconsideração dessa medida, dizendo que o espaço aéreo estava seguro.

Acrescentando pressão sobre Israel, a alta comissária da ONU para direitos humanos, Navi Pillay, disse nesta quarta-feira que há uma “forte possibilidade” de que Israel esteja cometendo crimes de guerra na Faixa de Gaza, onde 645 palestinos morreram nos combates, a maioria civis.

Israel nega as alegações, aumentando a guerra de palavras e acusando o Hamas de utilizar habitantes de Gaza como escudos humanos.

Em uma viagem não anunciada, de apenas um dia, Kerry estava pronto para encontrar o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, sinalizando uma intensificação nos esforços para encerrar a violência.

“Nós certamente demos alguns passos para a frente. Ainda há trabalho a ser feito”, disse Kerry logo após chegar ao país.

Israel lançou sua ofensiva em 8 de julho para buscar deter os ataques com foguetes feitos pelo Hamas e seus aliados, que têm sofrido com um bloqueio econômico imposto por Israel e Egito, e estão irritados com uma repressão contra seus apoiadores na Cisjordânia ocupada.

Após ter fracassado em parar a agressão após dias de bombardeios aéreos, Israel enviou tropas terrestres para a faixa de Gaza na quinta-feira, procurando eliminar os estoques de foguetes do Hamas e destruir uma vasta rede de túneis subterrâneos.

“Estamos encontrando resistência acerca dos túneis… eles estão constantemente tentando nos atacar nos arredores e nos túneis. Essa é a tendência”, disse o porta-voz militar de Israel, o tenente-coronel Peter Lerner, nesta quarta-feira.

Até agora foram mortos 30 soldados de Israel no confronto, incluindo um oficial de tanque de guerra, atingido por um atirador de elite palestino durante a noite. No total, três civis morreram em Israel por conta dos ataques de foguetes lançados de Gaza, incluindo um trabalhador estrangeiro atingido nesta quarta-feira.

Os militares dizem que um de seus soldados está desaparecido e acreditam que ele possa estar morto. O Hamas diz tê-lo capturado, mas ainda não divulgou uma foto dele em cativeiro.

O ministério da Saúde de Gaza informou que 18 palestinos foram mortos nesta quarta-feira, a maioria na cidade de Khan Yunis, no sul - um dos principais alvos da ofensiva israelense.

No extremo norte, os moradores continuaram a fugir de Beit Hanoun à medida que tanques israelenses avançam na cidade, perto da fronteira, tendo destruído pomares próximos em busca de túneis ocultos do Hamas.

"Colunas de pessoas estão indo para oeste de Beit Hanoun, à procura de um abrigo seguro. Isto não é uma guerra, isto é aniquilação", disse Hamed Ayman, de 17 anos.

"Antes eu sonhava em me tornar um médico. Hoje estou sem casa. Eles deveriam prestar atenção quanto ao que eu poderia me tornar depois", afirmou o jovem à Reuters.

Autoridades da Faixa de Gaza disseram que até agora, no conflito de 16 dias, 475 casas foram totalmente destruídas pelo fogo israelense e 2.644 parcialmente danificadas. Cerca de 46 escolas, 56 mesquitas e sete hospitais também sofreram danos em diferentes graus.

Reuters