Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Agentes da saúde, com vestimentas especiais de proteção, se preparam para trabalhar, no lado de fora de uma unidade de isolamento, em Lofa, na Libéria, em julho. REUTERS/Ahmed Jallanzo/UNICEF

(reuters_tickers)

Por Umaru Fofana e Clair MacDougall

FREETOWN/MONRÓVIA (Reuters) - Centenas de soldados foram mobilizados em Serra Leoa e na Libéria nesta segunda-feira para combater o pior surto de Ebola da história, enquanto o saldo de mortes chegou a 887 e três novos casos suspeitos do vírus mortal foram registrados na Nigéria.

Como o sistema de saúde pública das nações do oeste da África está completamente saturado pela epidemia, o Banco Africano de Desenvolvimento declarou nesta segunda-feira que irá desembolsar 50 milhões de dólares de imediato para Serra Leoa, Libéria e Guiné --os mais afetados do continente-- como parte do esforço internacional para conter a doença.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), que na semana passada alertou para as consequências catastróficas se a epidemia não for controlada, relatou 61 novas mortes desde 1º de agosto. O surto começou em fevereiro nas florestas da Guiné, onde o saldo de mortos continua a aumentar, mas desde então seu epicentro migrou para as vizinhas Libéria e Serra Leoa.

Na Nigéria, onde o norte-americano Patrick Sawyer morreu do Ebola no fim de julho depois de passar pela Libéria, a OMS relatou três novos casos, dois deles prováveis e um suspeito caso de Ebola. Na manhã desta segunda-feira, as autoridades nigerianas informaram que um médico que tratou de Sawyer contraiu a doença, mas uma fonte do Ministério da Saúde não quis comentar.

O pânico nas comunidades locais, que atacaram funcionários de saúde e ameaçaram queimar alas de isolamento, levou Serra Leoa, Libéria e Guiné a impor medidas severas na semana passada, entre elas o fechamento das escolas e a quarentena de regiões remotas mais afetadas pelo surto.

Longos comboios de caminhões militares conduziram soldados e assistentes de saúde nesta segunda-feira ao extremo leste de Serra Leoa, onde o número de casos é maior. O porta-voz dos militares, coronel Michael Samoura, disse que a operação envolve cerca de 750 militares.

Na vizinha Libéria, a presidente Ellen Johnson-Sirleaf e ministros realizaram uma reunião de emergência no domingo para discutir uma série de medidas para combater o Ebola, e a polícia isolou comunidades infectadas na região de Lofa, no norte do país.

Na sexta-feira, a chefe da OMS, Margaret Chan, alertou líderes regionais de que o Ebola está ultrapassando os esforços para conter o surto e se comprometeu a obter uma ajuda internacional de 100 milhões de dólares para controlar a epidemia.

Autoridades dos Estados Unidos e agências multilaterais devem discutir a emergência em uma cúpula de três dias entre EUA e África em Washington a partir desta segunda-feira.

Uma testemunha da Reuters em Monróvia, capital da Libéria, disse que várias clínicas estão fechando as portas porque seus médicos estão com medo de tratar pacientes, e a organização Médicos Sem Fronteiras, que normalmente lidera a luta contra o Ebola, diz não ter capacidade de aumentar sua pequena equipe no país.

(Reportagem adicional de Daniel Flynn e Emma Farge, em Dacar; de Tom Miles, em Genebra; de Tim Cocks, na Nigéria; e de Lesley Wroughton, em Washington)

Reuters