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Por Ek Madra
PHNOM PENH (Reuters) - O chefe de torturas e presídios do regime cambojano do Khmer Vermelho (1975-79) tinha de "matar ou ser morto" e agia como uma "máquina obediente", disse seu advogado na quinta-feira, na reta final da fase de depoimentos a um tribunal organizado pela ONU que pela primeira vez julga um integrante daquela ditadura comunista.
Kaing Guek Eav, ou Duch, que dirigiu a notória prisão S-21, é acusado de ter ordenado a morte de mais de 14 mil pessoas. A promotoria pediu na véspera 40 anos de prisão para ele, mas o advogado François Roux solicitou ao tribunal que seja leniente com o réu de 67 anos, alegando que ele cooperou plenamente com o processo.
"Sem Duch, o julgamento não poderia ter se desenrolado se ele, como outros, tivesse decidido permanecer em silêncio", afirmou Roux a um tribunal lotado com mais de 600 pessoas, inclusive muitos sobreviventes do regime ultracomunista que deixou estimados 1,7 milhão de mortos.
De acordo com a defesa, esse ex-professor de matemática cometeu atrocidades porque sua vida estava em jogo. "O acusado estava absolutamente, ele próprio, nas mãos do partido. E na verdade ele teve de operar como uma máquina, uma máquina obediente", disse Roux. "Ele próprio estava em uma situação em que tinha de escolher matar ou ser morto. Não desejamos que nosso cliente seja um bode expiatório."
Duch deve voltar ao tribunal na sexta-feira, último dia do julgamento. O veredicto está previsto para março.
Ele é acusado de "crimes contra a humanidade, escravização, tortura, abusos sexuais e outros atos desumanos" na época em que dirigia a prisão de Tuol Sleng, também conhecida como S-21. As atrocidades ocorridas naquela antiga escola secundária, hoje um museu, estão entre os capítulos mais sombrios do século 20. Apenas sete das 14 mil pessoas que passaram pela S-21 sobreviveram.
A promotoria pediu aos cinco juízes do caso que rejeitem a tese de que o réu não tinha escolha senão cumprir as ordens, já que ele seria "ideologicamente da mesma mente" que os líderes do Khmer Vermelho e nada fez para impedir que os carcereiros cometessem as torturas.

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Reuters