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Fumaça é vista em Rafah, na Faixa de Gaza, após o que testemunhas disseram ter sido um ataque aéreo de Israel. 01/08/2014 REUTERS/Ibraheem Abu Mustafa

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Por Nidal al-Mughrabi e Jeffrey Heller

GAZA/JERUSALÉM (Reuters) - Israel anunciou o fim do cessar-fogo em Gaza nesta sexta-feira, dizendo que militantes do Hamas romperam a trégua logo após a entrada em vigor e aparentemente capturaram um soldado israelense e mataram outros dois.

Novos bombardeios israelenses mataram mais de 70 palestinos e feriram cerca de 220, relataram autoridades hospitalares. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, convocou uma sessão especial do gabinete de segurança e alertou publicamente o Hamas e outros grupos militantes de que irão “enfrentar as consequências de suas ações”.

A trégua de 72 horas anunciada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, John Kerry, e o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, foi a tentativa mais ambiciosa até agora de encerrar mais de três semanas de combates e uma reação ao crescente alarme internacional a respeito do saldo cada vez maior de mortes de palestinos.

O presidente dos EUA, Barack Obama, pediu a soltura incondicional do soldado israelense e disse que, após os acontecimentos do dia, seria difícil restabelecer uma trégua.

"Acho que vai ser muito difícil restabelecer um cessar-fogo conjunto novamente se os israelenses e a comunidade internacional não puderem sentir confiança de que o Hamas pode cumprir um compromisso de cessar-fogo", disse em uma entrevista coletiva.

Obama afirmou que tem estado em constante contato com Netanyahu sobre a situação e acrescentou que é preciso fazer mais para proteger os civis palestinos.

O Hamas, grupo islâmico que controla a Faixa de Gaza, nem confirmou nem negou estar com o soldado. O secretário de Estado Kerry disse que pediu ao Catar, que é próximo do Hamas, e à Turquia para ajudar a libertar o soldado.

Ban repudiou a suposta violação do cessar-fogo do Hamas e exigiu a libertação do soldado.

O cessar-fogo, que começou às 8h da manhã (2h no horário de Brasília), levou famílias palestinas a retornar às vizinhanças devastadas, onde fileiras de casas foram reduzidas a escombros, e deveria ser seguido por negociações entre israelenses e palestinos no Cairo para buscar uma solução de longo prazo.

Uma autoridade graduada do Ministério das Relações Exteriores egípcio disse que as conversas irão começar no domingo, e que o Cairo “espera que os dois lados cessem a luta antes do início das negociações”.

Os militares israelenses afirmaram que, 90 minutos após a instauração da trégua, militantes atacaram soldados que procuravam túneis no sul da Faixa de Gaza usados para infiltrar combatentes em Israel.

“Terroristas saíram de um túnel, ou de vários. Pelo menos um era um suicida que se explodiu. Houve troca de tiros”, afirmou o tenente-coronel Peter Lerner, porta-voz do Exército. Dois dos soldados morreram.

“A indicação inicial é de que um soldado foi raptado pelos terroristas durante o incidente", disse ele. Mark Regev, porta-voz de Netanyahu, disse que o Hamas foi responsável pelo ataque.

Indagado se o cessar-fogo terminou, Lerner respondeu “sim, continuamos nossas atividades no local”, e acrescentou que as forças de Israel estão realizando um “grande esforço” para localizar o segundo-tenente Hadar Goldin, de 23 anos.

O Ministério da Saúde de Gaza afirmou que mais de 70 pessoas morreram e 220 foram feridas pelos bombardeios israelenses após o incidente perto da cidade de Rafah, no sul. Não surgiram relatos de imediato de grupos militantes alegando a captura do soldado.

Sami Abu Zuhri, porta-voz do Hamas, que controla Gaza, disse que Israel está tentando enganar o mundo e “acobertar seu massacre em Rafah”.

Autoridades de Gaza dizem que pelo menos 1.555 palestinos, a maioria civis, foram mortos, e 7 mil ficaram feridos. Sessenta e três soldados israelenses foram mortos e mais de 400 se feriram. Três civis foram mortos por foguetes palestinos em Israel.

O Hamas, isolado em um mundo árabe preocupado com o crescimento da militância islâmica, almeja o fim do bloqueio israelense a Gaza, e que o hoje hostil governo do Egito suavize as restrições em seu posto de travessia em Rafah, impostas depois que os militares depuseram o presidente islâmico Mohamed Mursi em julho passado.

(Reportagem adicional de Ari Rabinovitch e David Brunnstrom, em Nova Délhi; Lesley Wroughton, em Washington; Michelle Nichols, na Organização das Nações Unidas; e Omar Fahmy, no Cairo)

Reuters