Navigation

Suíço será chefe dos árbitros da FIFA

Massimo Busacca atuando na final da Liga dos Campeões em 2009. Keystone

Massimo Busacca foi nomeado para ser o novo chefe do Departamento de Arbitragem da FIFA.

Este conteúdo foi publicado em 25. julho 2011 - 17:53
swissinfo.ch

O árbitro suíço prometeu preparar profissionalmente seus colegas assim como os jogadores se preparam para os campeonatos.

"O lance de Busacca", "A partida do número 1", "Busacca surpreende com a mudança", "Busacca muda de lado", "Busacca revoluciona carreira": essas são algumas das manchetes publicadas logo depois da decisão do melhor árbitro suíço de aceitar o convite da organização esportiva.

Em entrevista à swissinfo.ch, o suíço de 42 anos levanta a perspectiva de incluir mais dois árbitros adicionais aos jogos durante a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

No entanto, a solução do quinta e sexto árbitro precisa ainda ser testada na Eurocopa de 2012 na Polônia e na Ucrânia. Busacca só consegue imaginar a utilização de câmeras nas linhas do gol.

swissinfo.ch: Abandonar o posto de árbitro ativo surpreendeu e causou irritação. O recém-saído chefe de árbitros Urs Meier chegou a declarar-se chocado. Você se surpreendeu com essas reações? 

Massimo Busacca: Não muito, mas é uma honra para mim escutar que o Busacca era importante ou que o Busacca tinha qualidade. Se não fosse isso, a surpresa seria seguramente menor.

As pessoas perguntam-se a razão por abandonar a minha carreira três anos antes de concluí-la. Eu decidi aceitar esse cargo de chefe dos árbitros na FIFA, pois ele me dá grandes possibilidades. Assim posso continuar atuando na área de arbitragem, que eu sempre amei. Sobretudo posso assim transmitir minha experiência de 22 anos de carreira aos outros árbitros. Não é uma despedida, mas sim apenas um simples adeus.

Tenho de agradecer a Deus e à minha mulher pela minha carreira, ao qual me sacrifiquei por todos esses anos. Também agradeço ao meu empregador (o cantão do Ticino), que sempre dizia "Massimo, pegue o dia livre, você pode ir". Mas exatamente agora no final não era sempre fácil conjugar o emprego com a atuação de árbitro.

swissinfo.ch: Você defende a ideia de árbitros profissionais na Suíça, como o chefe dos árbitros, Urs Meier, já reivindicou? 

M.B.: Na minha cabeça eu sempre fui um profissional, mesmo sem o apoio profissional da federação. Meu lema era: "Se você quer alcançar algo, é preciso se sacrificar e então vêm os resultados".

Eu só pude dar esse desempenho e qualidade, pois sempre submeti a minha vida às exigências do trabalho de árbitro. Durante todos esses anos eu reduzi a minha carga de trabalho para poder me preparar seriamente aos jogos.

Minha decisão, que foi bastante pensada, não tem nenhuma relação com a saída de Urs Meier. Eu me distancio da polêmica. Prefiro continuar dando uma contribuição positiva. Por isso aceitei essa nova tarefa. 

swissinfo.ch: A partir de agosto, como chefe dos árbitros da FIFA, você será o mais importante árbitro do mundo. Qual será realmente o seu trabalho? 

M.B.: Assim como o treinador de uma equipe de futebol, eu serei o treinador dos árbitros. Eu terei de analisar juntamente com essa equipe o que podemos melhorar.

swissinfo.ch: Os jogos ficam cada vez mais rápidos. Árbitros na linha do gol já atuam na Liga dos Campeões depois de terem participado do campeonato europeu. A Copa do Mundo de 2014 no Brasil também terá o quinto e sexto árbitro? 

M.B.: Ainda é muito cedo para dar uma resposta, mas nós iremos fazer tudo para que, em 2014, os espectadores de todo o mundo possam ter um fantástico campeonato.

A tentativa com os árbitros de linha de gol não foi das melhores no início. Porém, na Liga dos Campeões neste ano, a atuação dos dois árbitros adicionais foi um grande sucesso. Por isso esses testes irão continuar.

Na Eurocopa de 2012 na Polônia e na Ucrânia iremos ver, pela primeira vez, como os seis árbitros saem em um grande campeonato. Se a avaliação dos testes for positiva, iremos utilizar os árbitros de linha de gol na Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

swissinfo.ch: Depois de várias decisões polêmicas de árbitros durante a Copa do Mundo na África do Sul há um ano, aumentaram as exigências de provas de vídeo. Qual a sua opinião sobre o tema? 

M.B.: Eu sou contra. Nós falamos do quinto e sexto árbitro. Eu estou convencido que essa é uma boa solução para avaliar melhor uma situação.

Existem duas discussões: nós precisamos ter 100% de confianças nas pessoas. Nós temos confiança nos grandes jogadores, que fazem de tudo pelo sucesso das suas equipes e, por isso, ganham muito dinheiro. Mas também as estrelas cometem erros e nós aceitamos isso.

Porém não queremos aceitar que um árbitro, que em cada jogo precisa tomar inúmeras decisões, cometa erros. E para diminuí-los, temos hoje o apoio adicional de um árbitro de linha de gol e até de uma câmera na trave. Em relação a outras situações do jogo, sou estritamente contrário à utilização de câmeras.

Assim como os jogadores, também os árbitros têm de lidar diariamente com futebol, sejam eles profissionais ou não. No papel alguém pode ser um profissional, mas apitar ruim.

A profissionalização está focada, em primeira linha, na qualidade. Para os árbitros, isso significa que eles recebem muito mais tempo para se preparar. Isso inclui o estudo das análises de vídeo, assim como do intercâmbio contínuo com a equipe de árbitros.

Mas precisamos abandonar a exigência de um árbitro que não cometa erros. Para descartar as falhas, precisamos trocá-lo por uma máquina programada. Mas eu estou convencido que essa possibilidade significaria o fim imediato do futebol.

swissinfo.ch: A idade limite dos árbitros é de 45 anos. Não seria melhor ter mais flexibilidade para manter os mais capazes? 

M.B.: É difícil dizer. De um lado a qualidade de um árbitro não é absolutamente uma questão de idade. Por outro, também é uma questão de ambições: quem apitou durante muitos anos em alto nível talvez não esteja mais motivado, mas sim que tende a simplesmente fazer o seu trabalho. Árbitros precisam, porém, ter sempre completa concentração e fazer seu trabalho com paixão.

Um efeito do bom trabalho: os árbitros poderiam ser cada vez mais exemplo para os jovens. É como na equação: "Quando melhor qualidade no cume, melhor qualidade vem da base".

Massimo Busacca

Nasceu em Bellinzona (cantão do Tichino, sul da Suíça) em 6 de fevereiro de 1969).

É um ex-árbitro de futebol suíço e atual Chefe do Departamento de Arbitragem da FIFA.

Busacca é empresário e é árbitro FIFA desde janeiro de 1999.

Sua primeira partida internacional foi entre Irlanda do Norte e Bulgária, em 2 de junho de 2001.

Participou da Euro 2008, Copa das Confederações de 2009 e Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2002, 2006 e 2010.

Apitou as finais da Liga Europa da UEFA de 2007 e Liga dos Campeões da UEFA de 2009 entre Barcelona e Manchester United.

Polêmicas

Busacca se envolveu em dois escândalos em 2009: numa partida da Copa da Suíça fez gestos obscenos para torcedores que o estava provocando e sendo suspenso por três jogos pela Federação Suíça, e por ter urinado em pleno campo de jogo numa partida no Qatar.

Copa do Mundo

 

Participou na Copa do Mundo FIFA 2006 e mediou três partidas: Suécia 2x2 Inglaterra - 1a.fase, Espanha 4x0 Ucrânia - 1a.fase e Argentina 2x1 México nas oitavas-de-final.

Selecionado para participar da Copa do Mundo FIFA 2010, juntamente com os assistentes e compatriotas Matthias Arnet e Francesco Buragina.

(Texto: Wikipédia em português)

End of insertion

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Em conformidade com os padrões da JTI

Em conformidade com os padrões da JTI

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Os comentários do artigo foram desativados. Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Modificar sua senha

Você quer realmente deletar seu perfil?