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Suíços no exterior enfrentam obstáculos para renovar passaportes

um passaporte suíço vermelho sobre uma mala cinzenta
No estrangeiro, nem sempre é fácil renovar o passaporte suíço e existem poucas alternativas. Keystone / Christian Beutler

Distância, custos elevados e limitações físicas tornam a renovação de documentos um desafio para muitos suíços que vivem no exterior. Apesar de iniciativas como estações móveis, a falta de alternativas digitais ou flexíveis leva parte da diáspora a relatar frustração e insegurança.

Para renovar os documentos de identidade suíços no exterior, é preciso se dirigir ao Consulado Suíço mais próximo. No entanto, este pode estar localizado a centenas de quilômetros de distância.

Em nosso debate sobre o assunto, muitos suíços expressaram sua insatisfação, sobretudo em função dos custos envolvidos ou da falta de alternativas, como, por exemplo, quando uma condição precária de saúde não permite viagens.

As críticas mais frequentes dizem respeito à distância geográfica e aos custos inerentes a uma viagem.

Nossa leitora Swiss1956 mora nos Estados Unidos, no estado de Minnesota. Ela foi encaminhada ao Consulado Suíço em Chicago. No entanto, esta representação diplomática não dispõe mais da infraestrutura necessária para o registro de dados biométricos, hoje exigidos para a emissão de um passaporte.

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“Estamos agora submetidos ao Consulado em Nova Iorque, o que significa uma viagem de mais de dois dias. Meu filho vive em Dakota do Sul, ainda mais a oeste. Para nós, é uma viagem bastante longa – incluindo voos, hotéis e refeições, os custos ficam rapidamente altos”, relata.

Embora haja regularmente um serviço consular itinerante em Chicago, Swiss1956 lamenta o fim dos tempos em que este chegava a Minnesota. “Seria ótimo se isso se tornasse de novo possível algum dia”, sugere.

Estações móveis

As estações consulares móveis são uma alternativa às viagens longas e dispendiosas, sendo muito apreciadas pelos suíços no exterior. Na Tailândia, nosso leitor Houdini explica: “Em Chiang Mai, a Embaixada envia a um hotel, todos os anos, durante alguns dias, pessoal e equipamento para o registo de dados biométricos. Várias semanas após a inscrição, a pessoa tem um horário agendado para comparecer ao local”.

Às vezes, a representação diplomática suíça verifica as necessidades antes de organizar uma visita do Consulado itinerante. Swissmen@Zurich, que mora em Guayaquil, no Equador, a cerca de oito horas de carro da Embaixada em Quito, conta: “Todos os suíços de Guayaquil receberam um e-mail da Embaixada perguntando sobre suas necessidades”.

Segundo ele, “depois dessa enquete, o cônsul organizou uma estação móvel e informou a todos a data em que deveríamos nos dirigir ao Consulado itinerante em Guayaquil. A organização levou seis meses, mas 34 pessoas economizaram tempo e dinheiro para obter seus novos documentos”.

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Aproveitar uma viagem à Suíça

Outra solução proposta pelos suíços no exterior consiste em combinar o útil ao agradável: “Renovei meu passaporte em Lausanne, quando fui visitar minha filha”, escreve JoanBoa, que vive em Luxemburgo e está vinculada à jurisdição consular de Haia, na Holanda. “É importante saber que as suíças e os suíços no exterior podem fazer isso, basta marcar um horário”, relata.

Tendo em vista a distância até o Consulado competente, esta solução parece mais adequada para ZermattTessa: “Vivemos no Colorado e no Havaí. O Consulado ao qual estamos ligados fica em São Francisco, mas viajamos regularmente para a Suíça. Então foi muito fácil marcar um horário para renovar nossos passaportes estando no país. Considerando o tempo e o dinheiro necessários para viajar até São Francisco, encontrar um hotel e tudo o mais, vale a pena ir até a Suíça para renovar o passaporte”.

Quem vive perto da fronteira com a Suíça também pode aproveitar a proximidade geográfica para tratar dessas questões formais – um caminho muitas vezes mais curto do que aquele até o Consulado competente no país de residência.

Sem viagem, sem passaporte

O registro dos dados biométricos exige comparecimento pessoal. Além da distância geográfica, um estado de saúde precário também pode ser um obstáculo para a renovação do passaporte. Ruedi B., com mais de 80 anos e dificuldades de locomoção, não tem condições de viajar até Nairóbi, a capital do Quênia, para obter um novo passaporte.

Segundo o suíço, as autoridades recusaram-se a enviar uma estação consular itinerante para Mombaça: “O Consulado em Nairóbi está me obrigando a permanecer ilegalmente no país. As autoridades [quenianas] querem carimbar meu passaporte, para renovar minha autorização de residência. Vivo no Quênia há 22 anos e sempre me ative às regras. A partir de agora, isso não será mais possível”.

Perguntamos à nossa comunidade: é fácil ou não renovar o passaporte no exterior?

Por que não há um serviço online?

Muita gente se pergunta por que as autoridades suíças não oferecem um serviço online, como nossa leitora Simona Vazquez-Sartori:

“Não enfrento dificuldades para renovar meu passaporte em Nova York, mas achei os custos exorbitantes. A viagem (de carro), o hotel, as taxas, as despesas com o envio… Seria ótimo se, no futuro, fosse possível renovar o passaporte online”, sugere Camille Dufour nos comentários do nosso debate.

Anne, que precisou viajar de Sevilha para Madri, também concorda: “Tive que ir de trem até lá. Fui muito bem recebida na Embaixada. Só que esse novo passaporte saiu bastante caro para mim, incluindo as próprias taxas, as passagens de trem e os táxis. Acho que, se fosse possível concluir essas formalidades online, facilitaria muito as coisas para quem mora no exterior”, ressalta.

Oferta consular esporádica

E, às vezes, mesmo morando perto de uma representação diplomática suíça, esta pode não oferecer serviços consulares.

“Vivemos em Minsk, na Bielorrússia. A Embaixada da Suíça em Minsk fica a 20 minutos de carro da minha casa, mas não pode nos ajudar nessa questão. Temos que viajar para Moscou ou para a Suíça, a fim de obter novos passaportes. Essas duas opções exigem muito tempo e dinheiro”, lamenta Hans Rudolf Knecht.

No entanto, nem todas as experiências são negativas. Muitas cidadãs e muitos cidadãos suíços no exterior elogiam a eficiência dos serviços consulares, como nossa leitora Lilly: “Tenho a sorte de morar a uma hora de Milão. Levou dois minutos para marcar um horário. Dez dias depois, fui até o Consulado, a burocracia durou 15 minutos (fui atendida com muita gentileza) e 15 dias mais tarde recebi meu novo passaporte em casa. Não poderia ser melhor do que isso”, conclui a suíça residente na Itália.

Você já viajou com um passaporte vencido porque não conseguiu renová-lo? Participe do debate…

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Debate
Moderador: Emilie Ridard

Você já viajou com um passaporte suíço vencido?

Os suíço(a)s podem entrar no país com documentos vencidos, mas as companhias aéreas muitas vezes recusam o embarque com passaportes inválidos. Que solução você encontrou? Conte suas experiências!

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Edição: Samuel Jaberg

Adaptação: Soraia Vilela

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