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Um suíço investiga as prisões da CIA

A questão é saber se existe na Romênia, uma prisão como Guantânamo, em Cuba. Keystone

O senador suíço Dick Marty foi eleito presidente de uma comissão européia que vai investigar se existem realmente centros de detenção secretos dos Estados Unidos, na Europa.

Este conteúdo foi publicado em 08. novembro 2005 - 11:40

Essa comissão foi constituída pelo Conselho da Europa para investigar as revelações recentes da imprensa estadunidense acerca das prisões da CIA.

O senador Dick Marty foi eleito presidente da comissão de questões jurídicas e dos direitos humanos da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa (APCE), da qual é membro desde 1998. A primeira tarefa da comissão será estudar a questão das prisões secretas da CIA (serviço secreto estadunidense) na Europa.

A comissão autorizou o senador suíço a viajar, se necessário, a certos países membros da organização. Conforme os resultados das investigações, o Conselho da Europa abrirá um debate urgente em sua próxima sessão, em Bucareste, dia 25 de novembro.

Na semana passada, o Conselho da Europa decidiu fazer um inquérito aprofundado depois das revelações da imprensa americana acerca da presença de centros de detenção da CIA na Europa.

Detidos da Al Qaïda

Quarta-feira passada, o Washington Post afirmara que a CIA detinha supostos terroristas do grupo Al Qaïda em prisões secretas no Leste Europeu, sistema que teria sido montado depois dos atentados do 11 de setembro nos Estados Unidos.

"A possibilidade de que tais centros possam existir no território de Estados membros do Conselho da Europa é extremamente preocupante" e constituiria uma "violação grave dos direitos humanos", declarou sexta-feira o comissário europeu para os direitos humanos do Conselho da Europa, Alvaro Gil-Robles.

A organização estadunidense de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch (HRW) comunicou estar "praticamente convicta de que tais instalações existiam pelo menos na Polônia e na Romênia". Os governos dos dois países desmentiram.

«Guantânamo romena»

Por outro lado, a Comissão Européia "não suspeita" da existência de prisões da CIA na Polônia ou na Romênia e não vê "qualquer razão" de pedir explicações aos dois países. "Acho que é perigoso especular", declarou sexta-feira o porta-voz do comissário da Justiça, Franco Frattini.

A organização HRW baseia-se principalmente nos registros de vôos de aviões americanos para afirmar que a CIA mantinha prisões secretas no Leste Europeu. Para Bruxelas, esses registros não provam a existência de prisões secretas.

Frente a essas contradições, a imprensa romena questionava sexta-feira a existência ou não de uma "Guatânamo romena". Desde quinta-feira à noite, o Ministério romeno da Defesa convidou jornalistas a visitarem a base militar de
Mihail Kogalniceanu, no leste do país, designada pela Human Rights Watch como possível centro secreto de detenção da CIA.

Cruz Vermelha reagiu

Segunda-feira (07/11), o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), em Genebra, reagiu. Sem fornecer detalhes, seu presidente, o suíço Jakob Kellenberger, declarou que o CICV procurava ter acesso aos detidos que se encontram em prisões secretaras.

O CICV visita freqüentemente prisioneiros no Iraque, em Guantânamo e no Afeganistão. Ele também solicitou a Washington para ser regularmente informado no contexto de seu diálogo confidencial com as autoridades americanas.

swissinfo com agências

Breves

- O Conselho da Europa é a mais antiga (1949) organização política do continente. Sua se fica em Estrasburgo, na França.

- Ele é composto atualmente por 46 países, entre eles 21 da Europa Central e Oriental.

- Trata-se de uma organização distinta da União Européia, com 25 países (UE)

- No entanto, jamais um países aderiu à UE sem pertencer anteriormente ao Conselho da Europa.

- Os objetivos do Conselho da Europa são sobretudo a defesa dos direitos humanos e da democracia parlamentar.

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