
UBS paga compensação a clientes atingidos por perdas após medidas de Trump

O UBS efetuou cerca de 100 "pagamentos de boa vontade" a clientes suíços após reclamações sobre perdas com derivativos cambiais que explodiram na esteira das tarifas do "dia da libertação" de Donald Trump. Agora, o banco busca encontrar um limite para o mecanismo de compensação em um momento de maior escrutínio regulatório.
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O banco suíço criou uma força-tarefa interna para examinar as reclamações depois que alguns de seus clientes sofreram grandes perdas quando o dólar americano caiu drasticamente após o anúncio de Trump de tarifas gerais em 2 de abril. Os clientes pediram ressarcimento do banco alegando que não entendiam os riscos envolvidos na operação.

A força-tarefa do UBS realizou uma análise de todos os clientes que estavam utilizando o produto de investimento cambial depois de receber as reclamações iniciais, de acordo com uma pessoa familiarizada com os processos do banco.
A análise constatou que alguns clientes tinham tomado riscos muito grandes em comparação com seus ativos e tomou medidas para remediar as situações, declarou a fonte.
Várias pessoas familiarizadas com as reclamações disseram que cerca de 100 pessoas envolvidas receberam pagamentos de compensação após a análise.
O produto de câmbio em questão não é novo, mas é feito sob medida para investidores profissionais e de alto risco. Nesse caso, os clientes concordaram em trocar regularmente dólares por francos suíços a uma taxa fixa, desde que a taxa de câmbio permanecesse dentro de uma faixa definida.
No entanto, se a taxa saísse dessa faixa – como quando o dólar caiu repentinamente após o anúncio das tarifas do dia da libertação de Trump – os clientes permaneciam obrigados a continuar negociando em condições cada vez mais desfavoráveis, incorrendo em perdas acentuadas.
“Esses produtos efetivamente transferem o risco do banco para o cliente, que fica com um potencial de ganho mínimo e uma exposição substancial a perdas”, disse Nicolas Ollivier, advogado da Lalive, especialista em disputas, que está representando vários clientes profissionais e de varejo envolvidos na situação.
“Com base nos documentos analisados, parece que os clientes não foram total ou claramente informados sobre esses riscos”, acrescentou.
Dúvidas sobre os controles de risco
Pessoas familiarizadas com o assunto disseram que o trabalho da força-tarefa do UBS estava chegando ao fim, embora ainda estejam acontecendo discussões com alguns clientes que acreditam ter direito a uma compensação.
O banco também está analisando o trabalho de alguns de seus consultores, considerando se eles deveriam ter feito mais para comunicar aos clientes os riscos envolvidos nos produtos.
Alguns clientes que perderam dinheiro com os produtos, mas não receberam um pagamento de boa vontade ou uma indenização, apresentaram queixas criminais em Zurique.
As queixas foram registradas contra autores desconhecidos por violações da Lei de Concorrência Desleal e estão em fase de revisão preliminar, disse o promotor público de Zurique.
A situação levanta questões sobre os controles de risco e a proteção do cliente em um momento de maior escrutínio regulatório para o banco suíço, que é o segundo maior gestor de fortunas do mundo.

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‘Efeitos inesperados’
Dois dos clientes que conversaram com o Financial Times relataram ter testemunhado uma venda agressiva do produto mesmo quando expressaram preocupação com os riscos.
Um cliente perdeu mais de CHF 3 milhões (US$ 3,75 milhões), de acordo com seu representante legal. Outro cliente, que disse ao UBS ter um apetite médio por risco, afirmou que seu consultor no banco só lhe deu documentos de risco específicos para assinar muitos meses depois de o banco ter iniciado a negociação para ele em 2023.
A segunda pessoa disse que havia perdido 15% de seus ativos e pediu ao banco para sair do investimento alguns dias após o dia da libertação de Trump, antes que o dólar caísse ainda mais, causando perdas ainda maiores.
“Expressei repetidamente minha preocupação com o produto e disse que não o entendia. Eles continuaram me dizendo para não me preocupar e que depois iriam reestruturá-lo”, disse a pessoa.
O UBS declarou: “Concluímos uma análise dessa questão e constatamos que um número muito pequeno de clientes em alguns locais na Suíça sofreu efeitos inesperados da volatilidade do mercado relacionada à tarifa dos EUA em abril de 2025. Desde o início, levamos esse assunto a sério e analisamos o caso de cada cliente individualmente.”
Copyright The Financial Times Limited 2025
(Adaptação: Clarissa Levy)

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