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Menina sequëstrada morta por envenenamento

O corpo de Ylenia foi encontrado 30 quilômetros distante do local onde havia sido seqüestrada. Keystone

Ylenia, uma menina suíça de cinco anos e meio que havia sido seqüestrada em 31 de julho e encontrada morta dias depois, foi envenenada por tolueno, um solvente utilizado normalmente em tintas à base de alumínio para repintura.

O caso acaba de ser encerrado pela polícia do cantão de St. Gallen. O seqüestrador da menina a matou presumidamente por motivos sexuais.

Para muitas pessoas na Suíça, o verão de 2007 deixou uma amarga lembrança. Histórias e especulações sobre a pequena Ylenia, uma menina de cinco anos e meio que havia sido seqüestrada e o presumido autor do crime, Hans von Aesch, ocuparam durante semanas os noticiários dos jornais. A comoção foi grande, assim como a participação popular nas buscas feitas pela polícia.

Agora, três meses e meio depois do seqüestro e dois meses após o descoberta do corpo da menina – a população forneceu mais de três mil pistas – quatro coletivas de imprensa e mil artigos em jornais e revistas, as autoridades judiciais de St. Gallen declaram o encerramento do caso “Ylenia”.

Em 19 de novembro elas anunciaram publicamente as conclusões e todos os indícios recolhidos. Juntas, elas revelam uma terrível história.

Como foi

Em 10 de julho, Hans von Aesch, um expatriado suíço de 67 anos (ele havia imigrado para a Espanha e retornado apenas há poucos meses para a Suíça), havia comprado em uma farmácia no centro de Wallisellen, pequeno vilarejo ao norte de Zurique, um vidro de tolueno, um solvente aromático de alta pureza com faixa de destilação e utilizado normalmente em tintas à base de alumínio para repintura. Um dia depois, ele comprou num shopping center de Zurique uma pá, uma serra, uma picareta e um garfo de jardim.

Entre 12 e 23 de julho, von Aesch retira de um cofre no Banco Cantonal da Turgóvia um revólver marca Smith&Wesson.

Entre 16 e 20 de julho, ele circula entre os cantões de Appenzell, Zurique e St. Gallen, onde fotografa jovens meninas. As fotos foram descobertas posteriormente na sua câmara digital.

Em 31 de julho, às nove horas da manhã, Hans von Aesch foi para a piscina coberta de Appenzell. Sua caminhonete marca Renault com placa espanhola ficou estacionada no local. Consigo, ele carregava o revólver, uma arma de fogo caseira, um aparelho de eletro choques para autodefesa e um spray de pimenta.

Às 9:20 ele seqüestra Ylenia, que acabava de sair da piscina. Ele a joga no ônibus e, depois de amarrá-la, narcotiza com o tolueno.

Dúvidas

Os investigadores não conseguiram descobrir se ele pressionou um pedaço de tecido umedecido com o produto químico ou se a deu o líquido diretamente, depois de misturá-lo com água. Também não há provas para saber se o suíço queria matar a menina ou apenas narcotizá-la. Porém a dose foi tão forte, que Ylenia acaba morrendo de envenenamento por tolueno. Muito provavelmente ela faleceu sem dores, pois havia perdido a consciência antes. Segundo especialistas, primeiramente o efeito do tolueno é euforizante e depois ele leva a pessoa que absorveu doses elevadas ao estado de coma.

Com sua caminhonete, Von Aesch dirige até uma floresta distante 30 quilômetros do local onde havia seqüestrado a menina e a enterra juntamente com a sua patinete. Poucos minutos depois, ele encontra nas proximidades um homem, com quem troca algumas palavras sem importância. Repentinamente, ele tira o revólver do bolso e atira na barriga da suposta testemunha. Apesar de gravemente ferido, esta consegue escapar do local. Von Aesch foge e joga num cruzamento a mochila de Ylenia com as suas roupas. Ele telefona para parentes e conhecidos, dizendo ter feito uma grande besteira. Depois de se despedir de todos, o suíço dá um tiro na sua cabeça com a arma caseira.

Em 1. de agosto, policiais e cães farejadores descobrem o corpo de von Aesch. Minutos mais tarde eles encontram a patinete de Ylenia, a pá e a serra.

Em 15 de setembro, um jovem voluntário de 28 anos, habitante de Winterthur, desenterra na floresta o corpo nu da menina, depois de semanas procurando pistas.

Os médicos legistas que analisaram o corpo não encontram sinais de violência, o que não descarta abusos sexuais, como ressalta o juiz Erich Feineis à imprensa.

Caso “encerrado”?

Para a polícia, é provável que nunca se descubra o que Hans von Aesch planejou e realizou nas poucas horas até o assassinato de Ylenia. Através dos indícios recolhidos e outras provas (armas, ferramentas, fotos de outras crianças, etc), os investigadores acreditam que o suíço havia planejado o crime com meses de antecedência e que pretendia matar a sua vítima. Ele já havia chamado a atenção das autoridades em outras ocasiões pelas suas tendências pedófilas.

O caso “Ylenia” é considerado encerrado pela polícia e governo de St. Gallen. Para o procurador Christoph Ill, a triste história não termina nesse ponto: – “Para os familiares e amigos de Ylenia não existe um caso, mas sim uma lembrança que nunca irá desaparecer da memória”.

swissinfo com agências

Com apenas cinco anos e meio de idade, Ylenia havia desaparecido quando estava no caminho da piscina pública para a casa em 31 de julho. Poucas horas depois, seu corpo foi encontrado num bosque, 30 quilômetros distante do lugar de desaparecimento.

No dia seguinte, a polícia encontrou no mesmo bosque o corpo de um homem que havia se suicidado. Sua caminhonete continha objetos que pertenciam à menina.

O corpo de Ylenia só foi encontrado 47 dias depois, durante uma operação de busca organizada por simples cidadãos. Ele não apresentava sinais de violência ou abuso sexual.

Em 19 de novembro, as autoridades responsáveis pelo inquérito penal em St. Gallen comunicaram à imprensa que Ylenia havia sido envenenada por tolueno, um solvente aromático de alta pureza com faixa de destilação e utilizado normalmente em tintas à base de alumínio para repintura.

O caso da menina chocou a Suíça e foi amplamente noticiado pela imprensa. Sua família decidiu posteriormente criar uma fundação para ajudar crianças que vivem em más condições. Um mês após seu lançamento, ela já recolheu 100 mil francos em doações. Seu principal objetivo é apoiar o trabalho de educação nas escolas e orfanatos da região.

Os chefes das polícias cantonais (os “estados” do país) discutem atualmente a criação de um dispositivo de alerta nacional. A questão foi levantada no Parlamento, onde uma petição circula nesse sentido. O ministro da Justiça e Polícia Christoph Blocher prometeu uma decisão até a primavera de 2008.

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