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"Imigração sem controle aumenta tensão na sociedade"

"Não cabe todo mundo no paraíso", declara Blocher durante discurso na Basiléia (foto: Stephano Iori) Stefano Iori

Ao discursar no congresso anual de suíços do estrangeiro na Basiléia, Christoph Blocher defende medidas mais duras contra os estrangeiros que pedem asilo político na Suíça.

Este conteúdo foi publicado em 19. agosto 2006 - 20:16

Para o ministro da Justiça, a imigração descontrolada poderia causar tensões perigosas na sociedade. Trabalho é a melhor forma de integração.

Ele era a presença mais esperada no congresso anual de suíços do estrangeiro, que se realizou entre 18 e 19 de agosto no centro de congressos da Basiléia.

O polêmico ministro da Justiça, Christoph Blocher, membro do partido União Democrática do Centro (UDC), agremiação que une interesses de agricultores e de empresários de caráter nacionalista, abriu seu discurso lembrando que quase 22% da população suíça é composta de estrangeiros. "Quando eu conto para outros colegas de pasta em encontros na Europa, todos ficam surpresos com essa estatística e dizem para mim que essa proporção significaria grandes problemas políticos nos seus países", contou.

Suíça, Luxemburgo e Liechtenstein são realmente países onde estrangeiros já não podem se considerar em minoria. Porém o ministro lembrou que a situação helvética difere dos países vizinhos. "Apesar desse número, não vivemos a mesma situação de subúrbios que mais lembram guetos como na França, onde a violência e preconceito está na ordem do dia".

A fórmula mágica da Suíça está, sobretudo, na força da sua economia. "Graças à boa situação dela, conseguimos ocupar todas essas pessoas. O trabalho, afinal, é a melhor forma de integrar os estrangeiros. Por isso é importante mostrar que o trabalhar é melhor do que se esforçar para receber ajudar social".

Apoio à nova proposta de lei

A temática tratada por Christoph Blocher era de grande interesse aos suíços do estrangeiro presentes no congresso. Em 24 de setembro, os eleitores, incluindo também os com direito a voto que vivem fora do país, irão participar de um plebiscito popular para decidir a aprovação ou não de uma nova lei de asilo e estrangeiros.

O debate já foi lançado pelos dois lados para convencer o povo. "2 vezes 'sim' para a luta contra os abusos do direito e asilo e de estrangeiros" é o título da campanha movida pela UDC. Já partidos de esquerda e instituições de caridade defendem um claro 'não' ao projeto, cujo principal objetivo é tornar mais exigentes as condições de aceitação de um pedido de asilo e restrição de imigração para pessoas que vêm de fora dos países da União Européia.

"A Suíça não pode acolher todas as pessoas que estão procurando trabalho aqui. Porém o país continuará com suas portas abertas para aqueles que realmente estiverem sendo perseguidos nos seus países", lembrou Blocher, que também citou grupos de refugiados já aceitos e bem integrados no passado como os Huguenotes, protestantes franceses, e os Húngaros, que escaparam do país em 1956 depois do levante comunista.

Abusos

Durante o seu discurso, o ministro da Justiça falou da questão do abuso dos direitos de asilo político. "93% das pessoas que chegaram na Suíça para pedir asilo não eram realmente perseguidos. Eles vem com ajuda de atravessadores e destroem seus passaportes para não revelar a identidade", explica.

Na sua opinião, a única forma de acabar com o problema é promover a expulsão rápida dessas pessoas. "Assim estaremos acabando com os negócios do atravessador, que não poderá mais prometer uma vida fácil na Suíça ", detalha Blocher, que também fornece outras medidas práticas como exigir das companhias aéreas que elas controlem os imigrantes ilegais e os leve de volta ao país se falharem na identificação.

Erros também foram admitidos por Blocher. "Uma vez houve um caso de um estrangeiro que, ao ser levado de volta ao seu país, recebeu uma pena de prisão de dezenove anos". O ministro da Justiça esclareceu que, apesar da possibilidade de falha na verificação de cada caso, "é melhor tomar uma decisão do que nenhuma".

Dupla-nacionalidade

Se o discurso de Blocher foi dominado pela questão do asilo, os suíços do estrangeiro preferiram levantar outras questões. Ao abrir à platéia espaço para perguntas, um dos presentes foi direto ao assunto

"Senhor ministro, gostaria de saber qual a posição do seu partido com relação à dupla nacionalidade. Só está faltando a sua assinatura para aprovar o projeto que permita ao suíço de continuar suíço mesmo tendo outro passaporte?".

Blocher não negou que considera a questão "problemática", mas lembrou que mesmo sua filha também tem a dupla-nacionalidade. Porém, na opinião do ministro, os maiores problemas estão no "conflito de lealdade" e também em alguns países que não permitem o abandono da sua cidadania ou simplesmente a dupla-nacionalidade, como é o caso da Alemanha.

swissinfo, Alexander Thoele

Breves

O congresso anual dos suíços do estrangeiro representa uma plataforma importante para todos os expatriados do país dos Alpes que queiram participar do debate.

O conselho dos suíços do estrangeiro se reúne duas vezes por ano e é o órgão executivo mais importante da Associação dos Suíços do Estrangeiro (ASO, na sigla em alemão).

Considerado também o "Parlamento" da 5ª Suíça, a comunidade extraterritorial de suíços, o conselho tem como principal missão representar os interesses da comunidade helvética que vive fora do país.

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Fatos

Número de suíços por países de língua portuguesa em 2005
Angola: 106
Guiné-Bissau: 1
Moçambique: 129
São Tomé e Príncipe: 0
Brasil: 13.878
Timor-Leste: 3
Portugal: 2.767

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84º CONGRESSO DA ASO

84º congresso da Organização dos Suíços do Estrangeiro (ASO, na sigla em alemão) de 18 a 20 de agosto de 2006.

Tema: "Parceria entre economia e cultura: o segredo da Basiléia"

O perfil cultural da Basiléia deve-se, em grande parte, ao apoio da indústria farmacêutica.

A Basiléia também é considerada uma das capitais européias da arquitetura contemporânea.

O programa elaborado para os suíços do estrangeiro que participam do congresso incluem, dentre outros, visita às construções planejadas por arquitetos famosos como o Estádio de St. Jakob, Schaulager (Herzog & De Meuron), a Fundação Beyeler (Renzo Piano), o Museu Tinguely-Museum (Mario Botta), o novo prédio da Novartis (Diener & Diener, Adolf Krischanitz, Frank Gehry).

Também o local onde se realiza o encontro é considerado um ícone da arquitetura moderna: a torre da Feira da Basiléia, uma construção planejada pelo escritório de arquitetura Morger & Delego. Com 105 metros de altura e 31 andares, ela é o prédio mais alto da Suíça.

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