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Brasil supera as 120.000 mortes por covid-19

Voluntário desinfeta as vielas de uma favela do Rio de Janeiro, em 18 de abril de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 29. agosto 2020 - 22:50
(AFP)

Pouco mais de seis meses depois de registrar o primeiro caso do novo coronavírus, o Brasil superou neste sábado (29) o limiar sombrio de 120.000 mortes pela covid-19, sem vez a luz no fim do túnel.

O país, com quase 212 milhões de habitantes, registrou 120.262 mortes na pandemia e 3.846.153 casos, informou o Ministério da Saúde em sua atualização diária.

As cifras da pandemia no Brasil só são superadas pelas dos Estados Unidos, de longe o país mais castigado pelo novo coronavírus, com mais de 182.000 mortes.

Diferentemente de Europa e Ásia, onde o vírus se manifestou com força e em seguida diminuiu, no Brasil avança a um ritmo lento e devastador, afirma Christovam Barcellos, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

"Isso é inédito no mundo. Desde o começo da pandemia o Brasil mostrou uma curva de casos e de óbitos diferente de outros países, muito lenta", declarou à AFP.

"Agora está estabilizada, em torno de 1.000 óbitos e 40.000 casos por dia. O Brasil não passou o pico", acrescentou.

O país confirmou o primeiro caso do novo coronavírus em 26 de fevereiro, um empresário de São Paulo que voltou de uma viagem à Itália, e registrou sua primeira morte em 16 de março.

A pandemia logo se tornou uma questão política no país de 26 estados, além do distrito federal, com amplas competências em temas de saúde.

O presidente Jair Bolsonaro criticou a "histeria" sobre o vírus e atacou governadores e prefeitos que adotaram medidas de isolamento social em estados e municípios, argumentando que o dano econômico seria pior do que a própria doença.

Ele também incentivou o uso da hidroxicloroquina como solução de tratamento para a doença, apesar de uma série de estudos mostrarem que o medicamento é ineficaz contra o novo coronavírus.

Quando foi diagnosticado com o vírus em julho, Bolsonaro inclusive tomou o que chamou de um remédio da "direita".

Especialistas coincidem em que a falta de uma mensagem coerente de seus líderes foi a responsável pelo fracasso do país em "achatar a curva".

"É terrível. Há uma falta de coordenação, essa tem sido uma característica infelizmente do Brasil. O governo federal deixou aos estados toda a administração da crise", ressaltou Barcellos.

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