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Começa no México audiência de ex-diretor da Pemex ligado à Odebrecht

Em foto de arquivo tirada em 13 de fevereiro de 2020, Emilio Lozoya, ex-diretor da petroleira Pemex, é transferido para uma van da polícia espanhola em Marbella. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 28. julho 2020 - 19:55
(AFP)

A justiça mexicana começou a ouvir nesta terça-feira (28) Emilio Lozoya, ex-diretor da estatal Petróleos Mexicanos (Pemex), acusado de receber propina da empreiteira brasileira Odebrecht, que teria financiado uma campanha presidencial, informaram fontes oficiais.

A audiência, que abrange outro caso de suspeita de corrupção, transcorria por videoconferência, pois o ex-funcionário foi internado com um quadro de anemia após ter sido extraditado da Espanha, em 17 de julho.

Na diligência, a procuradoria-geral apresentou inicialmente acusações contra Lozoya pela compra, entre 2013 e 2015, de uma indústria de fertilizantes ao custo de 485 milhões de dólares, considerado excessivo pois a fábrica ficou sem uso durante 14 anos.

De um hospital privado no sul da Cidade do México, Lozoya, de 45 anos, se declarou inocente, segundo informes que o poder judiciário entrega à imprensa por um serviço de mensagens instantâneas.

A audiência foi encabeçada por um juiz de um presídio do norte da cidade, onde o caso foi aberto.

Até agora, não foram apresentadas acusações pelo escândalo da Odebrecht.

No entanto, espera-se que Lozoya também seja denunciado de administrar propinas de 4 milhões de dólares da empreiteira brasileira, que teriam financiado a campanha que levou à presidência Enrique Peña Nieto como candidato do Partido Revolucionário Institucional (PRI) em 2012.

A procuradoria informou, no entanto, que a fábrica nova de fertilizantes teria "tido um custo de 200 a 300 milhões de dólares" e por isso acusou Lozoya de ter "incentivado uma atividade ilegal", ao promover a compra de uma "empresa inativa a um preço superior".

O ex-funcionário afirmou, por sua vez, que tinha aceitado voluntariamente ser extraditado para o México e que vai colaborar com provas. "Demonstrarei que não sou nem responsável, nem culpado dos crimes que me atribuem", disse, sempre de acordo com a transcrição do poder judiciário.

Lozoya é acusado de ter recebido da empresa proprietária da indústria de fertilizantes, antes de sua venda, 3 milhões de dólares, com o qual teria comprado uma luxuosa residência na capital.

Próximo de Peña Nieto (2012-2016), o ex-funcionário assegurou que ele já tinha essa residência antes de assumir a direção da Pemex, em dezembro de 2012.

Na denúncia também foi acusada a irmã do ex-diretor, Gilda Lozoya, que está foragida, e o empresário Alonso Ancira, que intermediou a venda da fábrica e enfrenta um processo de extradição na Espanha.

O ex-diretor da Pemex foi detido em Málaga em fevereiro passado.

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