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Crescem questionamentos na Bolívia sobre eleições em setembro

A presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, em 25 de março em La Paz afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 23. junho 2020 - 17:07
(AFP)

O governo transitório da Bolívia e partidos minoritários expressaram nesta terça-feira (23) seu descontentamento com a marcação das eleições para 6 de setembro, enquanto o chefe de Epidemiologia não descartou um adiamento devido ao aumento de casos de COVID-19.

A data das eleições "foi imposta pelo MAS (Movimento Ao Socialismo, partido do ex-presidente Evo Morales), que tem maioria na Assembleia (Legislativa), e por algum candidato opositor como o senhor (Carlos) Mesa", afirmou o ministro do Desenvolvimento Produtivo, Óscar Ortiz.

A presidente Jeanine Áñez promulgou no domingo a lei convocando eleições gerais em 6 de setembro, um projeto que tinha sido aprovado em 30 de abril pelo Congresso, dominado pelo MAS.

Em setembro, a Bolívia estará no pico da pandemia, afirma Ortiz, membro de destaque do partido de Áñez, e que obteve 4% dos votos como candidato nas eleições presidenciais de outubro de 2019, que foram anuladas.

A Bolívia, com 11 milhões de habitantes, tem 25.000 contagiados e 820 mortos, e previsões apontam que em setembro o número de infectados chegará a 130.000. No fim de julho, o governo estima que o número de mortos poderia se situar entre 4.000 e 7.000.

"Possivelmente não poderemos nem ir às urnas" em setembro, disse o diretor de Epidemiologia do Ministério da Saúde, Virgilio Prieto, diante do avanço do novo coronavírus, que até agora tem registrado altas de casos e óbitos.

"Não há um único departamento que não esteja começando a subir sua curva, nem mesmo a estão mantendo, estão todos elevando os indicadores", informou.

- "Nada sacramentado" -

O partido do ex-presidente Evo Morales (2006-2019), o MAS, que controla o Congresso bicameral, mostrou-se flexível sobre a data das eleições.

Sergio Choque, presidente da Câmara dos Deputados (do MAS), disse a respeito da data das eleições que "nada está sacramentado".

"Será preciso ver o grau de avanço desta doença", afirmou, embora tenha insistido em que não se deve buscar um critério político, mas "tem que ser um cientista, entendido no tema" que assessore sobre o que fazer.

O candidato do Acreditamos (Creemos, direita radical), Luis Fernando Camacho, peça-chave dos protestos que levaram à renúncia de Morales em novembro, se pronunciou contra a data das eleições.

"Presidente, a História vai julgá-la e espero que tenha a humildade de pedir perdão a Deus por obrigar o povo a escolher entre votar e morrer. Queremos eleições? Sim, mas não às custas da vida e do sofrimento de muitos bolivianos", disse.

A candidata a vice, Ruth Nina, que acompanha Feliciano Mamani, cujo partido da Ação Nacional Boliviano tem 1,9% de intenções de voto, também se opôs à data das eleições, alegando o risco de contágio da COVID-19.

- "Como uma operação bancária" -

Carlos Cordero, analista e acadêmico da Universidade Católica da Bolívia, considerou que "no fundo, o governo não quer que haja eleições porque são partidos absolutamente minoritários, irrelevantes no cenário político".

Enquanto isso, o presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, Salvador Romero, tentou tirar pressão sobre o tema, ao afirmar que "haverá muitas semelhanças" entre a votação e "uma operação bancária".

Os bancos têm estado lotados apesar de a Bolívia ter entrado em quarentena em março devido ao coronavírus.

A mais recente pesquisa de intenções de voto, divulgada em março, situou o afilhado político de Morales, o economista Luis Arce, como favorito do eleitorado, com 33,3% das preferências, seguido do candidato de Carlos Mesa (18,3%) e Áñez (16,9%).

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