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Investigadores dos escândalos da Odebrecht são afastado no Peru

(Arquivo) A sede da empreiteira Odebrecht, em São Paulo, em 4 de dezembro de 2018 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 01. janeiro 2019 - 17:55
(AFP)

A decisão do Ministério Público de afastar dois procuradores encarregados de investigar os escândalos de corrupção vinculados à empreiteira brasileira Odebrecht causou uma avalanche de críticas de setores políticos e civis, e levou a anúncios de protestos no Peru.

O procurador-geral Pedro Gonzalo Chávarry anunciou na segunda-feira - a quatro horas do fim do ano - "deixar sem efeito a designação de Rafael Vela e de José Domingo Pérez as investigações do caso Odebrecht".

Justificou a decisão indicando ter perdido a confiança na equipe por "vulnerabilizar o princípio de reserva de informação" do processo.

Os procuradores supremos Pablo Sánchez (ex-procurador-geral) e Zoraida Ávalos criticaram a decisão e assinalaram em um comunicado, divulgado à meia-noite, que sentiam vergonha e indignação.

"Sentimentos de vergonha e indignação é o que nos embarga, pois estamos convencidos de que a nossa instituição não merece isso", assinalaram em nota.

Ávalos e Sánchez também indicaram que "hoje se deu um golpe fatal na luta contra a corrupção e a institucionalidade".

"Só se beneficia a impunidade, mas, além disso, esses feitos nos deixam diante da sociedade internacional como uma instituição enfraquecida e sem compromisso com a luta contra a corrupção", advertiram.

O destituído procurador José Domingo Pérez disse na segunda à noite se sentir "indignado". "Só estão favorecendo os interesses da corrupção para buscar impunidade".

O presidente Martín Vizcarra, após retornar do Brasil, onde se encontrava para assistir à cerimônia de posse de Jair Bolsonaro, disse à imprensa que estava indignado. "Ratifico o nosso enérgico rechaço à medida tomada pelo Procurador da Nação", acrescentou.

Informou que se reúne com seus ministros no palácio de governo "para realizar uma análise técnica e tomar medidas responsáveis sobre esta decisão do procurador".

Vizcarra reiterou que "continuará liderando a luta contra a corrupção e a impunidade".

- 'Fora Chávarry' -

A imprensa peruana abriu suas primeiras páginas nesta terça-feira com a notícia que abalou o país. "Fora Chávarry", intitulou o jornal La República, acrescentando que "o procurador ofende os peruanos".

"Vergonha e indignação", escreveu, por sua vez, o decano da imprensa peruana, El Comercio.

Em seu editorial assinala que "é preocupante que o líder de uma instituição como a Procuradoria se interesse em revelar a sua decisão entocado na ocasião festiva". Algo que é ainda "mais indignante ao levar em conta como o justifica".

De acordo com Chávarry, a equipe investigadora "não está garantindo a reserva da investigação" e sofre de "falta de rigor", o que poderia afetar o devido processo.

"Não se preocupam com nada", assinala o jornal Peru 21, acrescentando que o movimento é um "duro golpe à luta contra a corrupção".

A equipe que era dirigida por Rafael Vela é responsável pela investigação dos ex-presidentes Alejandro Toledo (2001-2006), que fugiu para os Estados Unidos e agora enfrenta um pedido de extradição; Ollanta Humala (2011-2016), que esteve preso por nove meses com sua esposa Nadine; Alan García (1985-1990, 2006-2011), que buscou asilo na embaixada do Uruguai e foi negado; e Pedro Pablo Kuczynski (2016-2018), que renunciou em março devido a denúncias de corrupção.

Também é investigada a líder do partido opositor Força Popular, Keiko Fujimori, que cumpre prisão preventiva de 36 meses acusada de receber contribuições ilegais da empreiteira Odebrecht em sua campanha de 2011.

- Protestos são anunciados -

A medida do procurador também provocou reações imediatas nas redes sociais, onde grupos de direitos humanos lançaram convocações de protestos na própria véspera do Ano Novo em apoio aos procuradores destituídos.

Centenas de pessoas, espontaneamente, foram em direção à sede Procuradoria com cartazes com a frase "Fora Chávarry!".

Chávarry, horas antes do anúncio de remoção, pediu ao Ministério do Interior que reforçasse as medidas de segurança para ele e sua família "porque estava recebendo ameaças constantes".

Nesta terça-feira, as redes sociais começaram a se movimentar cedo, convocando marchas por todo o país contra o procurador-geral.

Os coletivos "Todos contra Chávarry" e "Contra a corrupção" anunciaram marchas de protesto até o Ministério Público e o Congresso para exigir a saída do procurador-geral.

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